Moro vacila após Bretas cair e pesquisa mostrar força de Ratinho no Paraná

A imagem de Sergio Moro como presidenciável de toga perdeu força. Agora, até mesmo sua candidatura ao governo do Paraná em 2026 é posta em dúvida. Em visita a Ponta Grossa, nos Campos Gerais, o ex-juiz da Lava Jato e atual senador deu sinais públicos de insegurança. “Ainda não é momento para o debate eleitoral”, disse em entrevista ao portal aRede.

A fala soa como recuo estratégico — ou desânimo. O discurso cauteloso surge na esteira de dois abalos: a ascensão de um nome alinhado ao governador Ratinho Júnior (PSD), apontado por 39,02% dos paranaenses como seu preferido, segundo pesquisa do IRG; e a queda definitiva de seu ex-aliado de toga, o juiz Marcelo Bretas, condenado à aposentadoria compulsória pelo CNJ.

Moro aparece em segundo lugar na pesquisa, com 24,35% das intenções de voto. Ainda que o número o mantenha competitivo, a movimentação de Ratinho para consolidar um nome da máquina — seja Alexandre Curi, Guto Silva, Darci Piana ou Rafael Greca — tende a empurrá-lo para a margem da disputa.

CNJ fulmina Bretas: vaidade e abuso na Lava Jato

A punição a Marcelo Bretas, determinada por unanimidade pelo Conselho Nacional de Justiça nesta terça-feira (3), foi mais que simbólica. É uma certidão de óbito da Lava Jato fluminense e, por extensão, um tiro no peito do lavajatismo nacional — projeto que teve em Moro seu rosto mais midiático.

O juiz da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro foi condenado por desvio de conduta, violação de garantias processuais, uso político da toga e conluio com advogados. Segundo o relator do caso no CNJ, conselheiro José Rotondano, Bretas “atuou como se fosse o acusador”, manipulando delações e interferindo diretamente nas eleições de 2018, para favorecer Wilson Witzel e prejudicar Eduardo Paes.

“Vaidade, autopromoção e anseio por protagonismo” foram as motivações atribuídas ao magistrado, que ainda responde a outros procedimentos disciplinares, inclusive por atuar como coach e mentor nas redes sociais.

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Paralelo perigoso: Moro vê no espelho o destino de Bretas?

A relação entre Bretas e Moro sempre foi mais que institucional: foi simbiótica. Bretas foi apelidado de “Moro do Rio”. Agora, o desfecho administrativo do colega pode sinalizar o risco jurídico e político que ainda ronda o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

Há um ano, o CNJ encaminhou à Procuradoria-Geral da República relatório de uma correição na 13ª Vara Federal de Curitiba, antiga trincheira da Lava Jato, apontando ‘indícios’ de peculato de Moro.

Dito isto, o julgamento de Bretas sedimenta uma jurisprudência política: a de que o lavajatismo extrapolou os limites da magistratura, violou a paridade de armas e interferiu em eleições. Elementos que podem municiar investigações ou enfraquecer seu discurso ético nas urnas.

Nos bastidores, parlamentares aliados a Ratinho Jr. já exploram esse flanco para desidratar a viabilidade eleitoral de Moro no Paraná. O ex-juiz, por sua vez, tem sido menos incisivo nas articulações locais, o que contrasta com a ofensiva coordenada do grupo governista, que mira 2026 como continuidade do ciclo PSD no estado.

Tabuleiro de Ratinho: um nome, várias armas

Ratinho Júnior ainda não escolheu seu sucessor, mas o enigma tem prazo para ser resolvido. Os quatro nomes cogitados — Alexandre Curi (presidente da ALEP), Rafael Greca (ex-prefeito e secretário), Guto Silva (secretário das Cidades) e o vice-governador Darci Piana — têm perfis distintos, mas compartilham o selo PSD e o beneplácito do Palácio Iguaçu.

[De acordo com levantamento da Paraná Pesquisas, Requião Filho, Alexandre Curi, Beto Richa e Rafael Greca estão empatados na segunda posição pelo governo do Paraná.]

A pesquisa do IRG revela a potência eleitoral desse endosso. Com mais de 39% das intenções de voto espontâneas para um nome apoiado por Ratinho, o atual governador, mesmo em fim de ciclo, sinaliza controle do jogo sucessório.

Nesse cenário, Moro pode até manter sua base fiel — antipetista, lavajatista, conservadora — mas terá de se reinventar para sobreviver ao rolo compressor do grupo governista.

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Bretas punido, Moro vacilante: fim de um ciclo?

A Lava Jato não morreu de uma vez. Morreu de desgaste, de excesso, de cegueira política. A aposentadoria compulsória de Bretas escancara a erosão de um projeto judicial que se pretendia salvacionista, mas que terminou contaminado por protagonismo e partidarização.

Sergio Moro, ao hesitar, revela não apenas prudência estratégica, mas o peso de um passado que já não serve de escudo. O ciclo lavajatista, que o projetou à fama e à política, se aproxima do fim. E o futuro, no Paraná e no país, será decidido por outras forças — mais pragmáticas, mais estruturadas, mais enraizadas no poder real.

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