Moro reaparece com Álvaro Dias e testa aliança para 2026

O senador Sergio Moro (União) e o ex-senador Álvaro Dias (MDB) apareceram juntos em Cascavel, numa foto feita nos bastidores do Show Rural Coopavel 2026 e que só vazou para o Blog do Esmael nesta semana. O registro reacende a pergunta que interessa ao centro do poder no Paraná: dá para costurar uma composição entre os dois mirando 2026, com Moro no projeto de disputar o governo?

O encontro ocorreu durante a feira do agro realizada há duas semanas em Cascavel. A edição deste ano reuniu 430,3 mil pessoas e movimentou R$ 7,5 bilhões, segundo a organização.

Álvaro e Moro têm uma história atravessada por 2022. Ambos estavam no Podemos, mas o ex-juiz deixou a sigla para concorrer ao Senado, movimento que, na prática, tirou o chão de Álvaro e o empurrou para fora do jogo naquela disputa.

Quatro anos depois, com Álvaro de volta ao cenário pelo MDB, o reencontro em público, mesmo que tardio e “pescado” por uma foto, fala mais alto do que discursos. Em política, imagem costuma ser recado.

Nos bastidores de Moro, corre um ensinamento pragmático: em política e nos negócios não cabe rancor, nem ressentimento. Traduzindo, se a aritmética eleitoral exigir, o passado vira detalhe.

O MDB, por sua vez, tem razões concretas para olhar além do Palácio Iguaçu. Em 2025, em Curitiba, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (MDB), disse ao Blog do Esmael que Moro não era adversário do partido e que não via problema numa aliança no Paraná se o governador Ratinho Junior (PSD) não atendesse às demandas da sigla.

O principal “reclame” emedebista, na mesa, é proporcional. O MDB quer musculatura para a Câmara e cobra apoio do governador cessante na engenharia de chapa, inclusive com a migração de nomes competitivos para dentro do partido. No mercado eleitoral, líderes com até 30 mil votos são escassos e valem ouro.

Só que o ambiente no entorno de Ratinho virou um campo de areia movediça. Enquanto o governador tenta se projetar nacionalmente, aliados reclamam, em reservado, de vácuo na coordenação da sucessão e de uma base cada vez mais solta.

Nesse cenário, Moro aparece para parte do centro como “porto seguro”, ainda mais com as dificuldades do secretário estadual Guto Silva (PSD) de decolar nas pesquisas e no apetite do mundo partidário.

A confusão aumenta porque o xadrez de 2026 não é linear. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, e o ex-prefeito Rafael Greca, ambos do PSD, são citados em conversas como possíveis dissidentes, num desenho que tentaria emparedar Moro pela direita e pelo centro ao mesmo tempo.

Moro também tem pendências internas: acomodar aliados, reduzir ruídos no União Brasil e medir o impacto de movimentos paralelos que podem embaralhar palanques. Se Álvaro Dias for acolhido na costura, cresce a chance de Cristina Graeml (União) perder espaço no desenho, num acerto que também mira o bolsonarismo, hoje inclinado a lançar o deputado Filipe Barros (PL).

Dito isso, o que a foto de Cascavel revela é simples: Álvaro voltou a circular onde decisões são testadas antes de serem anunciadas. E Moro sinaliza que conversa com quem for necessário para formar maioria.

Portanto, a imagem não fecha acordo, mas abre porta. A política do Paraná entrou na fase em que antigas mágoas viram moeda de troca, e quem subestima isso costuma pagar caro na urna.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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