Moro costeia alambrado do Agir de olho no Paraná 2026

O senador Sergio Moro (União-PR) sondou a direção nacional do Agir 36 para disputar o governo do Paraná em 2026. A ofensiva ocorre nos bastidores desde que o ex-juiz da Lava Jato foi escanteado pela União Progressista, federação formada por União Brasil e Progressistas, que vetou sua candidatura ao Palácio Iguaçu.

A informação foi confirmada ao Blog do Esmael por uma fonte em Brasília, que descreveu o movimento como “conversa exploratória”. Moro busca uma porta de entrada num partido disposto a abrigá-lo após a queda de braço que perdeu para o Progressistas de Ricardo Barros (PP-PR) e para o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A sondagem ao Agir ocorre num momento de fragilidade política para o ex-juiz. A União Progressista decidiu, por unanimidade, barrar seu nome na disputa estadual de 2026, como revelaram as falas da deputada Maria Victória (PP-PR) na Assembleia Legislativa e os encontros que reuniram Barros, Nogueira e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

Sem espaço na própria federação, Moro passou a testar legendas médias e pequenas que ainda lhe oferecem algum grau de viabilidade eleitoral. O Agir, apesar de pequeno no plano federal, mantém quase duzentos mil filiados, três prefeitos, 292 vereadores e presença razoável no interior, ativos que seduzem um candidato majoritário em busca de abrigo.

Nos bastidores, dirigentes do Agir avaliam a possibilidade com cautela. Uma candidatura de Moro poderia recolocar a sigla no noticiário nacional, mas também carregaria o desgaste de uma biografia que perdeu brilho e popularidade desde o fim da Lava Jato.

Além do Agir, o ex-juiz sondou outras alternativas. No Missão, antigo MBL, encontrou uma barreira curiosa: o pedágio para filiações de peso inclui ler os seis tomos do chamado “Livro Amarelo” e ainda realizar um psicotécnico interno. A exigência virou piada entre dirigentes, mas também sinaliza que o partido não pretende virar depósito de outsiders em busca de sobrevivência.

O PRTB, sob influência do coach Pablo Marçal, segue no radar do senador. O pragmatismo do partido e seu ambiente de direita agressiva parecem compatíveis com a nova rota do ex-juiz, embora dirigentes avaliem o custo simbólico de filiar uma figura que chegou a ser tratada como herói e hoje enfrenta rejeição crescente.

Outra possibilidade ventilada é o Democrata, herdeiro do antigo PMB (Partido da Mulher Brasileira), que ganhou projeção ao abrigar Cristina Graeml na disputa pela Prefeitura de Curitiba em 2024. A aproximação de Moro com esse grupo vem de articulações paralelas no campo bolsonarista.

O avanço sobre essas legendas evidencia a travessia de Sergio Moro desde o auge da Lava Jato, quando era cortejado por grandes partidos nacionais, até o presente, no qual precisa costear o alambrado de siglas médias para manter viva a chance de disputar o governo do Paraná.

Enquanto isso, o veto da União Progressista reorganizou completamente o tabuleiro local. O Progressistas e a base do governador Ratinho Junior (PSD) se movem para consolidar alternativas como Cida Borghetti (PP), Rafael Greca (PSD), Alexandre Curi (PSD) e Guto Silva (PP), todos citados em reuniões recentes como possíveis cabeças de chapa alinhados ao Palácio Iguaçu.

Para essas lideranças, a eventual ida de Moro ao Agir, ao Missão, ao PRTB ou ao Democrata muda pouco. O objetivo comum é isolá-lo, reduzir sua capacidade de alianças e impedir que se transforme no polo de uma frente conservadora competitiva em 2026.

Por ora, Sergio Moro segue como político à procura de teto partidário. O Agir surge como mais um degrau possível, ou como mais um alambrado costeado por um candidato que tenta sobreviver num cenário cada vez mais hostil.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.