O governador Ratinho Junior (PSD) virou alvo direto do presidente do Missão, Renan Santos, que publicou nas redes sociais um vídeo para ligar a saída do paranaense da corrida ao Planalto ao avanço do caso Banco Master. No ataque, o dirigente do partido ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) diz que o recuo não teria relação com Sergio Moro (PL) nem com rearranjos da direita, mas com medo de desdobramentos judiciais.
No vídeo, Renan afirma, sem apresentar prova nova, que Ratinho teria desistido porque estaria “com medo de ser preso” e porque uma eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro poderia atingir o entorno do governador. A peça foi publicada no Instagram sob o título “Ratinho não é mais candidato” e recoloca o grupo em ofensiva sobre o caso Master no Paraná.
Para sustentar o ataque, Renan cita um episódio específico, a privatização da Copel Telecom, comprada em 2020 pelo fundo Bordeaux, ligado ao investidor Nelson Tanure. No vídeo, ele usa esse caso para tentar amarrar Ratinho Junior à crise do Banco Master. Até agora, porém, essa ligação aparece como acusação política do presidenciável do Missão, não como fato provado.
Segundo a investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, Nelson Tanure é apontado como sócio oculto e beneficiário final de estruturas ligadas ao Banco Master, por meio de fundos e arranjos societários complexos. Para os investigadores, Daniel Vorcaro apareceria como o nome público e o operador político do banco, enquanto o controle real seria atribuído a Tanure. O empresário nega qualquer vínculo societário ou posição de comando na instituição.
No início desta semana, o ex-senador Roberto Requião (PDT) antecipou o debate sobre as conexões ocultas na privatização paranaense. Em vídeo, o pedetista afirmou que o Banco Master foi o real modelador da venda da Copel Telecom para o empresário Nelson Tanure, através do Fundo Bordeaux, no leilão de 2020.
Embora o valor da arrematação (R$ 2,395 bilhões) seja um dado público, a tese de Requião, antes tratada apenas como retórica de oposição, ganhou contornos de fato investigado. Relatórios recentes da Polícia Federal e do COAF, que fundamentaram a liquidação do Master em 2025, apontam indícios de que o banco funcionou como o motor financeiro e estruturador da operação, utilizando o fundo de Tanure como fachada para uma engenharia de ativos que agora está sob rigorosa análise judicial.
O fato público, até aqui, é outro. Ratinho anunciou nesta segunda-feira (23) que permanecerá no comando do Paraná até dezembro. Segundo relato de bastidor repercutido pelo Blog do Esmael, pesaram pressão familiar, o avanço de Moro no cenário estadual e o risco político de deixar o Palácio Iguaçu num momento ruim para seu grupo.
No campo judicial, Vorcaro assinou em quinta-feira (19) um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. O documento abre caminho para uma possível delação. O acordo ainda dependeria de negociação, apresentação de provas e homologação do relator no Supremo Tribunal Federal (STF). Até agora, não há delação concluída nem conteúdo público validado pela Justiça.
O vídeo de Renan retoma uma linha que o Missão já vinha explorando no estado. Em fevereiro, Gabriel Bertolucci, filiado ao partido, publicou vídeos associando o apresentador Ratinho ao resort Tayayá. O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) negou os pedidos urgentes para remover esse material, e o mérito da ação ainda será julgado. Na mesma disputa, o Grupo Massa afirmou não manter relação com a empresa responsável pelo empreendimento e declarou que teve apenas participação minoritária no projeto entre fevereiro de 2021 e maio de 2024.
Desta vez, o alvo é o recuo presidencial de Ratinho. Ao ligar a desistência do governador ao escândalo do Master, Renan tenta se colocar menos como agitador de rede e mais como candidato em confronto aberto com um adversário da direita. Isso conversa com a estratégia do Missão de se apresentar como alternativa ao bolsonarismo e buscar espaço nacional com candidatura própria.
No Paraná, o efeito político é imediato. A saída de Ratinho da disputa presidencial devolveu a tensão para a sucessão estadual. Adversários, dissidentes e presidenciáveis de nicho passaram a disputar a versão sobre o que levou o governador a recuar. O caso Master segue sob investigação. Na política, já entrou no centro da briga.
A eleição de 2026 no Paraná começa a ser contaminada por acusações que ainda não se converteram em prova. Renan tentou transformar o recuo de Ratinho em admissão prévia de culpa. Até aqui, não há elemento público que sustente esse salto.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




