Lulistas do PSD veem cálculo local em Caiado e alertam Kassab

Lulistas do PSD dizem que a filiação de Ronaldo Caiado ao partido não nasce de um projeto presidencial contra Lula, mas de uma disputa regional em Goiás, e avaliam que o discurso de um “trio” nacional com Ratinho Junior e Eduardo Leite exagera o alcance real do movimento de Gilberto Kassab.

A leitura circula entre líderes do PSD que atuam como base de sustentação do governo Lula no Congresso e nos estados. Para esse grupo, o partido cresce quando prioriza governabilidade e perde quando flerta com aventuras nacionais sem base social consolidada.

No caso de Caiado, a apuração do Blog do Esmael aponta motivação essencialmente local. O governador de Goiás deixou o União Brasil para o PSD temendo perder espaço no próprio estado. Seu principal adversário, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), se movimentava para assumir o controle do PSD goiano, o que poderia isolar Caiado na sucessão estadual.

Outro fator pesou na decisão. A primeira-dama Gracinha Caiado é pré-candidata ao Senado pelo União Brasil, o que exigia do governador uma engenharia partidária que preservasse o projeto familiar e, ao mesmo tempo, garantisse abrigo político seguro para o grupo no estado. Ela assumiu a presidência do União Brasil no estado, após a saída do marido.

Entre lulistas do PSD, essa combinação esvazia a tese de que Caiado tenha migrado com foco real no Palácio do Planalto. A avaliação é de que a filiação foi defensiva, não ofensiva, e que a retórica presidencial atende mais à narrativa nacional de Kassab do que a um plano concreto do governador goiano.

Esse ceticismo aparece também entre nomes como o senador Omar Aziz (PSD-AM), a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o senador Otto Alencar (PSD-BA), o ministro Alexandre Silveira (PSD-MG) e o prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ). Todos atuam alinhados ao governo Lula e veem a relação com o Planalto como ativo político central para seus estados.

Nos bastidores, o argumento é pragmático. Lula segue favorito à reeleição e concentra a maior coalizão política do país. Romper ou tensionar essa aliança para lançar um nome próprio do PSD poderia custar ministérios, verbas, influência e capacidade de entrega nos territórios.

Ratinho Junior, no Paraná, e Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, entram nessa conta como peças mais úteis a projetos estaduais e ao Senado do que a uma corrida presidencial competitiva. Entre lulistas do partido, prevalece a ideia de que ambos sabem disso e calibram seus movimentos com cautela.

A avaliação interna ganha força diante do avanço do PL na tentativa de nacionalizar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), num movimento de tudo ou nada liderado por Valdemar Costa Neto. Com a direita fragmentada e radicalizada, o espaço para uma “terceira via” do PSD se estreita ainda mais.

No juízo político desses líderes, Kassab testa cenários, mas o chão do PSD continua majoritariamente governista. A filiação de Caiado, vista de perto, resolve um problema goiano antes de qualquer ambição nacional.

Se insistir em vender o movimento como desafio direto a Lula, o partido corre o risco de tensionar sua própria base interna. Se assumir a lógica regional e a aliança nacional com o Planalto, preserva poder e influência em 2026.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *