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centro-direita-no-pos-bolsonarismo-com-tres-governadores-no-radar-e-efeitos-diretos-nos-palanques-estaduais”>A filiação do governador goiano Ronaldo Caiado ao PSD selou um movimento calculado de unidade e luta interna no partido de Gilberto Kassab para ocupar o espaço do centro-direita no pós-bolsonarismo, com três governadores no radar e efeitos diretos nos palanques estaduais.
A entrada de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, ocorre com um objetivo explícito: disputar o Palácio do Planalto. Caiado deixou o União Brasil para ter legenda, estrutura e liberdade de alianças, segundo aliados, algo que só o PSD oferece neste momento. Com isso, Kassab passa a comandar um trio de governadores que embaralha o jogo nacional.
Além de Caiado, o partido mantém no banco de reservas Ratinho Júnior, governador do Paraná, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. O discurso público é de coesão, mas o desenho político indica funções bem definidas.
Nos bastidores, a leitura predominante é clara: se Caiado é o nome presidencial, Ratinho Júnior e Eduardo Leite tendem a disputar o Senado em seus estados, fortalecendo o PSD regionalmente e garantindo musculatura institucional ao projeto nacional.
Kassab aposta em alternativa sem Bolsonaro
O movimento foi interpretado em Brasília como a consolidação de uma alternativa de centro-direita sem Jair Bolsonaro, hoje inelegível até 2030. A avaliação de dirigentes do PSD é que o partido não faria uma jogada dessa magnitude sem a convicção de que Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo (Republicanos), está fora da corrida presidencial.
Kassab sempre defendeu Tarcísio como sucessor natural de Bolsonaro, mas o lançamento do nome de Flávio Bolsonaro pelo PL alterou a corrida presidencial. Com isso, o PSD passou a trabalhar abertamente com a hipótese de candidatura própria, apostando que a fragmentação da direita favorece o protagonismo do partido.
Em declaração à imprensa, Caiado foi direto ao afirmar que o acordo com Kassab prevê liberdade total de palanques, indicando flexibilidade regional para evitar rachas locais, um dos ativos estratégicos da legenda.
Ratinho fora do Planalto nos bastidores
Embora Ratinho Júnior siga citado como presidenciável em discursos oficiais, nos bastidores de Brasília cresce a avaliação de que ele é carta fora do baralho nacional. O motivo não é apenas político, mas também reputacional.
Análises anteriores do Blog do Esmael já apontavam que a relação do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, com o caso dos resorts Tayayá se tornou um fator de desgaste indireto para o governador do Paraná. A revelação de que o apresentador foi sócio dos irmãos do ministro do STF Dias Toffoli em um dos empreendimentos respingou no cenário eleitoral paranaense e nacional.
O caso ganhou novo peso em meio à disputa local com Sergio Moro, senador pelo União Brasil, adversário direto de Ratinho e antagonista dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Esse contexto reforçou a leitura interna de que uma candidatura presidencial de Ratinho teria alto custo político e baixa viabilidade fora da base regional.
Leite cresce como nome moderado
Já Eduardo Leite aparece como o nome mais competitivo do trio no imaginário do eleitorado moderado. Levantamento da Real Time Big Data, realizado mês passado, mostrava que o governador gaúcho tem maior potencial de voto e menor rejeição entre os pré-candidatos de perfil centrista.
Enquanto Leite registra 30% de eleitores que consideram votar nele, Ratinho aparece com 12% nesse indicador e rejeição significativamente maior. Esses números reforçam a estratégia do PSD de distribuir papéis: um presidenciável viável e nomes fortes para o Senado, ampliando a presença institucional do partido.
A sondagem ouviu 33.300 eleitores nos 27 estados, entre 5 e 16 de dezembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança.
Efeito Lula e palanques estaduais
No PT, a avaliação é que o movimento do PSD dificulta um apoio fechado a Lula já no primeiro turno, especialmente nos estados. O trio Caiado, Ratinho e Leite tem perfil marcadamente antipetista, o que reduz a margem de manobra para alianças automáticas.
Ainda assim, lideranças petistas trabalham com a hipótese de negociação caso a caso, sobretudo em um eventual segundo turno. Caiado, por sua vez, já descartou apoio a Lula, reforçando a identidade oposicionista do projeto.
Trio de direita, sem Bolsonaro
O PSD decidiu sair da arquibancada e jogar pesado em 2026. Ao apostar em unidade formal e disputa interna controlada, Kassab transforma o partido em eixo organizador da centro-direita sem Bolsonaro, mas o custo será alto nos estados, com palanques tensionados e ambições cruzadas. Se a estratégia dará certo, dependerá menos do discurso de unidade e mais da capacidade de administrar vaidades e passivos políticos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




