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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou neste domingo (25) um quarto mandato presidencial, em uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). A vitória foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a apuração do segundo turno das eleições de 2026, depois de uma disputa marcada pela polarização política e por uma diferença estreita entre os candidatos.
Com 99,90% das seções eleitorais apuradas, Lula tinha 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio Bolsonaro, conforme dados divulgados pela Superlive do Blog do Esmael às 21h30. O resultado parcial confirmou a reversão da vantagem obtida pelo candidato do PL na primeira rodada da eleição.
A vitória torna Lula o primeiro presidente eleito pelo voto popular no Brasil a conquistar quatro mandatos presidenciais. O novo período de governo começa em janeiro de 2027 e termina em 2030.
Lula vira o resultado do primeiro turno
A eleição de 2026 começou com vantagem para Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o senador terminou à frente do presidente, obrigando Lula a reorganizar a campanha para a votação decisiva.
A reação petista combinou mobilização nas ruas, articulação política e intensificação da campanha digital. Atos de apoio ao presidente ganharam força na reta final, enquanto a campanha passou a dar maior destaque às propostas para um eventual quarto mandato, além da defesa do legado dos governos anteriores.
A disputa também foi marcada pelo uso das redes sociais como instrumento de mobilização eleitoral. O canal de WhatsApp conhecido como “Exército de Lula”, associado ao deputado federal André Janones (Rede-MG), tornou-se uma das principais ferramentas digitais da campanha petista.
O resultado representa uma derrota para o projeto político da família Bolsonaro, que buscava manter a direita bolsonarista no comando do governo federal por meio da candidatura de Flávio. A votação, porém, também confirma a permanência de uma base eleitoral expressiva em torno do senador, que chegou ao segundo turno após liderar a primeira rodada.
Quarto mandato amplia o legado de Lula
Lula chegou à Presidência pela primeira vez em 2003, depois de uma trajetória no movimento sindical do ABC Paulista e da fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980. Foi reeleito em 2006 e governou até o fim de 2010.
Depois de deixar o Planalto, voltou a disputar a Presidência em 2022 e derrotou Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. A vitória daquele ano marcou seu retorno ao poder após 12 anos fora do governo federal.
O quarto mandato consolida a longevidade política de Lula, mas também amplia a responsabilidade do presidente diante de um país dividido eleitoralmente. A margem estreita da disputa exigirá articulação com o Congresso Nacional, negociação com governadores e interlocução com setores econômicos e sociais que apoiaram candidaturas diferentes.
O presidente terá de transformar o resultado das urnas em sustentação política para sua agenda. Entre os temas apresentados durante a campanha estão políticas de transferência de renda, ampliação do acesso à educação, renegociação de dívidas, medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs) e mudanças nas relações de trabalho.
Economia e Congresso serão desafios do novo governo
A vitória eleitoral não elimina os conflitos que marcaram a campanha. O governo precisará administrar as expectativas dos eleitores, manter políticas sociais e enfrentar disputas sobre orçamento, emprego, renda e prioridades econômicas.
A composição do Congresso será determinante para a aprovação de projetos. Sem maioria parlamentar automática, o Palácio do Planalto terá de construir acordos para transformar promessas de campanha em medidas concretas.
A oposição bolsonarista, por sua vez, deverá manter uma presença relevante no debate nacional. O desempenho de Flávio no primeiro e no segundo turnos mostra que a direita continuará sendo um polo central da disputa política brasileira, mesmo fora da Presidência.
O resultado também abre uma nova etapa na discussão sobre a sucessão de Lula. Ao fim do mandato, em 2030, o presidente terá 85 anos. A organização de uma candidatura capaz de preservar a coalizão governista e disputar o eleitorado para além do núcleo petista será uma das questões políticas centrais dos próximos anos.
A reeleição de Lula encerra uma das disputas mais acirradas da história recente do país e abre um novo ciclo de governo. O desafio agora será converter a vitória eleitoral em resultados concretos para a população, em meio à polarização e às dificuldades de negociação política.
Acompanhe a apuração, os desdobramentos da eleição e a análise dos próximos passos do governo no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




