Lula transforma 90 anos do salário mínimo em embate político; vídeo

Lula transformará a celebração dos 90 anos do salário mínimo em um ato político claro: defender a principal âncora de renda do país enquanto a direita e o sistema financeiro trabalham para desmontá-la. Abaixo, assista ao vivo.

Na cerimônia que ocorrerá na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resgatará o sentido histórico do mínimo criado em 1936 por Getúlio Vargas e reposicionado, a partir de 2006, como instrumento central de combate à pobreza e à desigualdade. Não será só memória. Será recado.

O salário mínimo chega a 2026 valendo R$ 1.621, com reajuste real acumulado de 14,8% desde a retomada da política de valorização em 2023. Segundo o Dieese, o impacto alcança 62 milhões de brasileiros e injeta R$ 81,7 bilhões na economia neste ano. É renda que vira comida na mesa, remédio comprado, aluguel pago, comércio girando nos bairros.

É justamente isso que incomoda a elite rentista.

Nos bastidores de Brasília e da Faria Lima, cresce a ofensiva para desvincular o salário mínimo das aposentadorias e pensões do INSS. O argumento público é fiscal. O objetivo real é outro: liberar recursos para sustentar a farra dos juros altos e a engrenagem do sistema financeiro, sacrificando a renda de quem vive do trabalho e da previdência.

A velha mídia tende a embarcar nessa narrativa. Editorializa contra o “custo” do mínimo, mas silencia sobre o custo social da desigualdade e sobre o rombo que a política monetária restritiva provoca no desenvolvimento do país.

Lula fará o contraponto. Deve lembrar que, sem a política de valorização, o mínimo hoje estaria em R$ 823. Metade do que vale. Um país com esse piso salarial não reduz pobreza, não aquece mercado interno, não constrói estabilidade social. Produz precarização em massa.

O embate em torno do salário mínimo será, no fundo, uma disputa de projetos de Brasil.

De um lado, a agenda que trata direitos sociais como entrave econômico e vê aposentados, pensionistas e trabalhadores como números a serem cortados da planilha. Do outro, a concepção de que renda mínima forte é motor de crescimento, justiça social e democracia.

Não por acaso, Lula decidirá ampliar essa frente social com outra bandeira de alto impacto: o fim da escala 6×1.

A reaproximação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), abrirá uma janela política para destravar o projeto que reduz a jornada semanal para 40 horas e garante dois dias consecutivos de descanso, sem corte de salário. A proposta é relatada pelo deputado Léo Prates (PDT-BA) e defendida pelo líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).

O Planalto sabe que a resistência empresarial será pesada. Mas também sabe que a sociedade está cansada de jornadas extenuantes que corroem a saúde física e mental do trabalhador. A escala 6×1 virou símbolo de um modelo produtivo atrasado, que explora muito e devolve pouco.

Ao colocar o salário mínimo e o fim da 6×1 no centro do debate, Lula desenhará uma linha política nítida para 2026: direitos contra rentismo, trabalho contra especulação, povo contra a captura do Estado pelos interesses financeiros.

Não será apenas uma disputa econômica. Será um conflito de valores.

Se a direita conseguir desvincular o mínimo das aposentadorias, abrirá a porta para uma era de arrocho permanente sobre os mais pobres. Se o governo avançar na valorização da renda e na humanização da jornada, consolidará um projeto de país menos desigual e mais democrático.

A cerimônia dos 90 anos do salário mínimo funcionará, na prática, como o lançamento desse confronto.

E Lula deixará claro, desde já, de que lado está.

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