Gleisi desmente fake news sobre Pix e expõe jogo da extrema direita

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, desmentiu mais uma onda de fake news sobre o Pix e colocou o dedo na ferida da disputa política em torno do sistema de pagamentos mais usado do país. Em vídeo publicado nas redes sociais, a responsável pela articulação política do governo Lula afirmou que é mentira a história de que o Pix será taxado e lembrou que a única proposta nesse sentido partiu do governo Bolsonaro, com Paulo Guedes à frente da Economia.

A ministra citou declaração antiga do ex-ministro para mostrar quem, de fato, flertou com a ideia de criar imposto sobre transações digitais. O vídeo voltou a circular nos últimos dias como resposta a publicações da extrema direita que tentam espalhar medo entre trabalhadores, autônomos e pequenos empreendedores.

Gleisi foi direta ao rebater o boato. Disse que enquanto o presidente Lula zera o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, adversários inventam mentiras sobre o Pix para confundir a população e proteger interesses que não são os do povo.

A ministra também lembrou que, no ano passado, houve articulação política contra o sistema brasileiro de pagamentos, inclusive com ameaças de sanções internacionais. Para ela, a ofensiva atual faz parte da mesma lógica, atacar políticas públicas que funcionam e enfraquecer a confiança das pessoas no Estado.

Segundo Gleisi, a verdade é simples. Não existe taxação do Pix. O que existe é a tentativa de frear a lavagem de dinheiro do crime organizado, algo que sempre incomodou setores que lucram com a informalidade e a falta de controle.

O que mudou de fato nas regras

A ministra das Relações Institucionais explicou que a única alteração recente foi estender aos bancos digitais e fintechs as mesmas obrigações que os bancos tradicionais já cumpriam há anos. Transações acima de R$ 5 mil sempre foram informadas à Receita Federal por instituições financeiras clássicas, via TED, DOC e agora também Pix.

O problema é que as fintechs não estavam submetidas às mesmas regras. Isso abriu brecha para esquemas de lavagem de dinheiro, como revelou a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto. A investigação mostrou que organizações criminosas usavam bancos digitais para movimentar recursos ilegais sem o mesmo nível de fiscalização.

Quando o governo tentou equalizar as normas, a máquina de fake news entrou em ação. Espalhou pânico, criou a narrativa de que a Receita monitoraria cada centavo do trabalhador e forçou um recuo temporário. Quem ganhou com isso, segundo Gleisi, foi o crime organizado.

Agora, com a retomada das regras, nada mudou para a vida de quem é honesto. Mudou apenas para quem usava o sistema financeiro para lavar dinheiro.

A mensagem da ministra foi clara. Se você é trabalhador, autônomo ou MEI, pode ficar tranquilo. A Receita não está de olho no seu Pix. Mas quem movimenta dinheiro sujo, esse sim tem motivo para se preocupar.

Boulos entra no debate e mira Nikolas Ferreira

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também publicou vídeo sobre o tema e foi ainda mais duro no tom político. Ele acusou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de espalhar mentiras de forma recorrente para criar pânico moral em torno do Pix.

Boulos lembrou que a história da suposta taxação já foi usada antes e sempre com o mesmo roteiro, dizer que o governo quer meter a mão no dinheiro do motoboy, da manicure e do trabalhador autônomo.

Para o ministro, o mais grave é o motivo por trás da mentira. Ao atacar uma norma da Receita que busca combater lavagem de dinheiro, Nikolas estaria, na prática, protegendo interesses de gente graúda ligada ao crime organizado.

A pergunta lançada por Boulos ganhou peso político. Por que insistir nessa narrativa se ela só beneficia quem lucra com esquemas ilegais.

Pix vira campo de batalha política

O embate mostra como o Pix, criado no governo Bolsonaro e ampliado no governo Lula, virou um símbolo da disputa política no país. De um lado, o governo tenta preservar a confiança no sistema e avançar no combate à criminalidade financeira. De outro, a extrema direita aposta na desinformação para desgastar a imagem da Receita Federal e do próprio Estado.

Não é um debate técnico. É uma guerra de narrativas.

Ao colocar Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos na linha de frente, o Planalto sinaliza que não pretende mais apenas reagir. A estratégia agora é expor quem ganha com a mentira e enquadrar politicamente os autores das fake news.

A ofensiva contra o Pix revela menos preocupação com o trabalhador e mais defesa de interesses obscuros. Quando o governo tenta fechar as torneiras da lavagem de dinheiro, surge a gritaria sobre “taxação” e “monitoramento”. A resposta de Gleisi é mais do que um desmentido, é um chamado para que a sociedade escolha entre a verdade e a manipulação.

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