Janela partidária redesenha Câmara sob avanço do PL

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encerra nesta sexta-feira (3) a janela partidária que permitiu a deputados federais, estaduais e distritais trocar de legenda sem perda de mandato. Na prática, o mecanismo já reordenou a Câmara dos Deputados: levantamento parcial do Blog do Esmael apontou, até 14h de quinta-feira (2), ao menos 110 parlamentares em movimento no Congresso, sendo 101 deputados federais e 9 senadores, com o PL no melhor saldo da Câmara e o União Brasil no centro das perdas.

Os números variam conforme a hora do fechamento e a velocidade de oficialização das fichas, mas a direção política é a mesma. A CNN registrou mais de 70 deputados federais trocando de sigla até quinta-feira (2); o PL recebeu ao menos 17 novos deputados e teve 4 saídas, enquanto o União Brasil perdeu terreno e o PSDB reapareceu com 9 filiações e 3 baixas.

A regra ajuda a entender a correria. Segundo o TSE, a janela de 2026 vale apenas para deputados federais, estaduais e distritais, começou em 5 de março e termina nesta sexta, 3 de abril, porque nos cargos proporcionais o mandato é considerado do partido, não do eleito. Senadores, governadores e presidente podem trocar de legenda fora desse mecanismo.

No Paraná, a movimentação foi pesada. O estado apareceu entre os que mais registraram mudanças na Câmara até a véspera do fechamento, com 8 trocas, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Goiás. No caso paranaense, a disputa por vagas ao governo e ao Senado ajudou a acelerar o troca-troca.

Na bancada federal paranaense, algumas trocas já aparecem consolidadas. Sargento Fahur e Reinhold Stephanes Junior deixaram o PSD, do governdor Ratinho Júnior, e passaram ao PL. Padovani, eleito pelo União Brasil, aparece agora no Republicanos, que anunciou sua filiação na reta final da janela.

Outras mudanças foram anunciadas, mas ainda corriam em ritmos diferentes de oficialização. O deputado federal Diego Garcia teve a filiação ao União Brasil divulgada pelo partido e foi contado pelo deputado federal Ricardo Barros (PP) como reforço da federação União Progressista no Paraná, ao lado de Luísa Canziani e Paulo Litro. No momento da consulta, porém, a Câmara ainda mantinha Diego no Republicanos e Luísa e Paulo no PSD.

Na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), a janela também mexeu na correlação de forças. O deputado estadual Alexandre Curi trocou o PSD pelo Republicanos e entrou de vez na disputa pelo Palácio Iguaçu. Alisson Wandscheer deixou o Solidariedade para a órbita da União Progressista, enquanto Marcio Pacheco saiu do Progressistas para o Republicanos, Fabio Oliveira migrou do Podemos para o Novo e Flávia Francischini foi do União Brasil para o Solidariedade.

O retrato final ainda pode ganhar ajustes burocráticos nas próximas horas, porque a própria Câmara e os partidos atualizam cadastros em tempos diferentes. O dado político, porém, já está dado: a janela de 2026 aumentou o tamanho do PL, apertou o União Brasil e fragmentou ainda mais o centro, enquanto o Paraná virou um dos laboratórios mais visíveis dessa corrida por chapa, palanque e sobrevivência eleitoral.

A janela deste ano antecipou a eleição no grito das nominatas. Quem saiu maior chega mais forte à campanha; quem perdeu quadros entra em outubro tentando remendar a própria base. Entretanto, o troca-troca partidário ainda poderá ocorrer até 23h59 desta sexta.

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