Janela partidária expõe pânico do MDB e do PSB no Paraná

A janela partidária se fecha na sexta-feira (3), e o prazo fatal de filiação partidária para quem pretende disputar as eleições de outubro vence no sábado (4). No Paraná, esse aperto de calendário expôs a correria de siglas que ainda tentam montar chapas competitivas para deputado federal e estadual, sob risco de não alcançar o quociente eleitoral.

No MDB, o clima é de aflição. Segundo relatos ouvidos pelo Blog do Esmael, o deputado federal Sergio Souza, presidente estadual da sigla, entrou em modo de pressão depois do fracasso na tentativa de atrair deputados e lideranças para reforçar a chapa proporcional do partido.

A reclamação, no interior, é direta. Souza estaria ligando para lideranças locais para cobrar fidelidade e reforço de nominata, mas encontra um ambiente de resistência dentro do próprio MDB.

O ruído vem de trás. Muita gente no partido lembra disputas municipais e regionais em que grupos internos apoiaram adversários da própria legenda. Agora, com a chapa minguada e o relógio eleitoral no limite, essa conta política voltou ao colo de quem ajudou a produzi-la.

É o cipó de aroeira, na tradução amarga dos bastidores emedebistas.

Entretanto, nem tudo é espinho no mundo do MDB. Sergio Souza conseguiu cooptar o advogado Luiz Henrique Ramos para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, movimento tratado internamente como um raro reforço numa reta final de escassez. O problema é que, até aqui, a chegada de Luiz Henrique Ramos não alterou a percepção de que a nominata segue abaixo do necessário para dar tranquilidade ao partido.

O ex-deputado Frangão Parcianello leu esse ambiente e caiu fora. Depois de décadas de filiação, viu que o MDB segue sem horizonte sólido para uma chapa competitiva e decidiu deixar o partido. Frangão bateu asas rumo ao União Brasil.

O trauma que ronda essa reta final, porém, tem outro nome. Em 2022, Luizão Goulart, então no Solidariedade, teve votação expressiva e ainda assim ficou fora da Câmara dos Deputados porque o partido não alcançou o quociente eleitoral necessário para fazer cadeira. Já Frangão, pelo MDB, também amargou suplência. Os dois casos viraram aviso permanente no Paraná sobre o risco de uma chapa mal montada.

O quociente eleitoral é a conta que divide o total de votos válidos pelo número de vagas em disputa. Na prática, ele define quais partidos entram de fato na distribuição das cadeiras nas eleições proporcionais. Isso significa que não basta ter um candidato muito votado. A legenda precisa somar votos suficientes como conjunto para transformar desempenho individual em mandato.

Por isso, parlamentares com mandato fazem nesta semana uma verdadeira gincana de filiações. O objetivo é recrutar candidatos médios, nomes com voto regionalizado e lideranças capazes de adicionar densidade à nominata, sem a qual a chapa pode morrer antes mesmo da apuração final.

No MDB, o medo já é confessado em voz baixa. Há dirigentes e aliados que admitem o risco de o partido não eleger sequer um deputado federal pelo Paraná. É daí que nasce o modo desespero atribuído a Sergio Souza na reta final da janela.

No PSB, a aflição tem outro operador. O deputado federal Luciano Ducci faz contas e ligações em busca de candidatos médios, aqueles que podem entregar até 30 mil votos e dar musculatura mínima à chapa. O fantasma é justamente repetir um cenário em que votos relevantes se dispersem sem virar cadeira.

Nesse quadro, a prefeita Karime Fayad, de Rio Branco do Sul, aparece como nome monitorado com atenção. Ela ainda pesa os prós e os contras de deixar o mandato para disputar a Câmara dos Deputados. A decisão importa porque, nessa fase, cada candidatura competitiva no interior pode valer a sobrevivência eleitoral de uma sigla.

O fechamento da janela partidária, portanto, não marca só um prazo burocrático. Ele expõe quais partidos chegaram organizados à disputa de outubro e quais entraram na zona de pânico, com chapa curta, base desconfiada e medo real de desaparecer da conta final das urnas.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Karime Fayad faz discurso na sacada durante posse na Prefeitura de Rio Branco do Sul.
Esta é a prefeita Karime Fayad. Foto: reprodução

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *