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DataRatinho vê empate entre Gleisi, Alexandre e Filipe para Senado

Pesquisa IRG registra Deltan com 24%, Gleisi com 21,1% e Curi com 20,4%, mas campo quase não captou suspensão no TSE.

A nova pesquisa IRG para o Senado do Paraná, divulgada nesta terça-feira, 22 de setembro, registra Deltan Dallagnol (Novo) com 24% no primeiro voto, seguido por Gleisi Hoffmann (PT), com 21,1%, e Alexandre Curi (Republicanos), com 20,4%. O dado decisivo, porém, está no calendário: a maior parte das entrevistas ocorreu antes de a campanha de Deltan ser suspensa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O levantamento ouviu 1.200 eleitores entre 17 e 20 de setembro, tem margem de erro de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro PR-01172/2026 na Justiça Eleitoral.

A liminar do ministro Floriano de Azevedo Marques que suspendeu os atos de campanha de Deltan somente foi proferida na noite de 19 de setembro. Dois dias depois, em 21 de setembro, o plenário virtual do TSE confirmou a medida por 5 votos a 2.

Isso significa que seria metodologicamente incorreto afirmar que Deltan “resistiu à suspensão” porque apareceu com 24%. A pesquisa praticamente não teve tempo de medir a reação dos eleitores à mudança jurídica que atingiu sua campanha.

A fotografia da IRG funciona, portanto, como uma linha de base para as próximas pesquisas. Ela mostra onde estavam os candidatos quando a suspensão ainda não havia entrado plenamente na conversa eleitoral e permite comparar o comportamento do eleitor nos levantamentos realizados depois da decisão.

No primeiro voto para o Senado, Deltan aparece numericamente à frente com 24%. Gleisi tem 21,1%, Curi marca 20,4%, Filipe Barros (PL) registra 12,8% e Cristina Graeml (PSD) soma 6%.

A distância entre Deltan e Gleisi é de 2,9 pontos percentuais, muito próxima da margem de erro declarada de 2,83 pontos. Curi aparece apenas 0,7 ponto atrás de Gleisi. Os números indicam uma disputa concentrada entre os três primeiros, mas não autorizam tratar pequenas diferenças como movimentos consolidados.

Na rodada anterior da IRG, divulgada em 4 de setembro e realizada entre 31 de agosto e 3 de setembro, Deltan tinha 23,7%, Gleisi 20,2% e Curi 19,8% no primeiro voto. Filipe registrava 12,3% e Cristina, 5%.

Na comparação puramente numérica, Deltan passou de 23,7% para 24%; Gleisi, de 20,2% para 21,1%; Curi, de 19,8% para 20,4%; Filipe, de 12,3% para 12,8%; e Cristina, de 5% para 6%. As diferenças são pequenas diante das margens de erro e não permitem concluir que houve mudança efetiva na preferência eleitoral.

O segundo voto mostra outra camada da disputa. Como o Paraná elegerá dois senadores em 4 de outubro, cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes.

Nesse recorte, 18,1% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar. Filipe Barros aparece com 13,9%, Curi com 13,1%, enquanto Deltan e Cristina têm 11,6% cada. Gleisi registra 7,1%.

Somando apenas os percentuais obtidos por cada candidato na primeira e na segunda escolha, Deltan Dallagnol chega a 35,6%, Alexandre Curi a 33,5%, Gleisi Hoffmann a 28,2%, Filipe Barros a 26,7% e Cristina Graeml a 17,6%.

Essa soma ajuda a visualizar a presença de cada nome nas duas opções de voto, mas não deve ser lida como intenção de voto convencional, porque cada eleitor paranaense poderá escolher dois candidatos ao Senado e a pesquisa mede separadamente a primeira e a segunda preferência.

O contingente de indecisos no segundo voto ajuda a explicar por que a corrida permanece aberta. Não basta saber quem aparece entre os primeiros na escolha inicial: existe uma parcela relevante do eleitorado que ainda não definiu como utilizará sua segunda opção.

A pesquisa espontânea reforça essa incerteza. Sem a apresentação dos nomes dos concorrentes, 50,5% dos entrevistados não indicaram candidato ao Senado.

A situação jurídica de Deltan acrescenta uma variável que a IRG praticamente não conseguiu capturar. A decisão do TSE suspendeu seus atos de campanha, propaganda eleitoral, participação em debates e utilização de recursos públicos, mas não representou, até 22 de setembro, julgamento definitivo do recurso contra seu registro. O nome do candidato também não foi retirado da urna pela cautelar.

Por isso Deltan continua aparecendo nas pesquisas eleitorais. Uma coisa é a suspensão das atividades de campanha; outra é o julgamento definitivo sobre seu registro.

Também não existe base estatística, nesta pesquisa, para dizer para onde iriam os votos de Deltan caso parte do eleitorado decida procurar outra candidatura. Atribuir antecipadamente essa migração a Filipe Barros, Alexandre Curi, Cristina Graeml ou Gleisi Hoffmann seria hipótese política, não resultado demonstrado pela IRG.

Essa pergunta começa a ficar mais mensurável nos próximos levantamentos.

A Quaest realiza entrevistas entre 20 e 23 de setembro, portanto seu campo fica muito mais exposto à repercussão da liminar do que o da IRG. A Neokemp tem campo entre 22 e 24 de setembro, já integralmente posterior à confirmação da suspensão pelo plenário do TSE.

O Índice Inteligência, com entrevistas entre 19 e 21 de setembro, também atravessa a mudança jurídica e exige cautela semelhante à IRG. O Veritá, com campo de 20 a 24 de setembro, concentra uma parcela maior das entrevistas depois da liminar e também alcança o período posterior ao julgamento de 5 a 2.

A sequência transforma os 24% de Deltan na IRG menos em resposta sobre o efeito da suspensão e mais em ponto de comparação. Se houver deslocamento eleitoral causado pela decisão do TSE, ele deverá aparecer com maior nitidez nas pesquisas cujo trabalho de campo ocorreu depois de 19 e, principalmente, depois de 21 de setembro.

Até lá, a fotografia é esta: Deltan tem 24% no primeiro voto da IRG, Gleisi 21,1% e Curi 20,4%, mas o levantamento foi produzido majoritariamente antes do fato que mudou as condições da campanha.

Acompanhe o Blog do Esmael nesta maratona de pesquisas eleitorais. Os próximos levantamentos poderão mostrar se a suspensão de Deltan alterou efetivamente a disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado ou se os números permaneceram estáveis.

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