Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira, 22 de junho, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue com saldo negativo na forma de administrar o país: 50% desaprovam e 44% aprovam. O dado mantém o governo no vermelho, mas a rodada também registra melhora na expectativa sobre a economia, com alta de 33% para 36% entre os que esperam melhora e queda de 36% para 32% entre os que esperam piora.
Na pergunta sobre a forma como Lula administra o país, a desaprovação caiu de 51% para 50%, enquanto a aprovação subiu de 43% para 44%. O movimento é pequeno, de um ponto percentual em cada lado, e não autoriza leitura de virada política. O que ele mostra é estabilidade negativa, com o governo ainda abaixo da linha de aprovação majoritária.
A avaliação direta do governo federal também melhorou na margem negativa. Os que classificam a gestão como ruim ou péssima caíram de 40% para 38%. Os que veem o governo como ótimo ou bom passaram de 33% para 32%. A mudança mais forte apareceu no regular, que subiu de 24% para 28%. A pesquisa foi realizada entre 13 e 17 de junho.
Esse deslocamento importa porque o eleitor regular é o terreno de disputa de 2026. Ele não está entregue à oposição, mas também não se converte automaticamente em defesa do governo. É um eleitor que tende a responder a renda, preço de alimento, emprego, segurança, crédito e sensação de rumo.
O ponto mais favorável ao Planalto aparece na economia. A expectativa de melhora da situação econômica do país subiu de 33% para 36%. A percepção de piora caiu de 36% para 32%. Os que esperam situação igual passaram de 23% para 25%.
Esse dado oferece ao governo uma trincheira política. Se a economia continuar melhorando na percepção popular, Lula terá argumento para disputar o eleitor regular. Se a melhora não chegar ao bolso, a oposição terá munição para dizer que o otimismo estatístico não paga supermercado, aluguel, luz e transporte.
A confiança pessoal no presidente, porém, não acompanhou a melhora econômica. Segundo a pesquisa, 56% dizem não confiar em Lula, índice estável desde dezembro do ano passado. Os que dizem confiar passaram de 40% para 41%. Outros 3% não souberam ou não responderam.
A fotografia combina economia um pouco menos pessimista com desconfiança política congelada. Essa contradição é o centro da pesquisa. Lula pode até melhorar em indicadores de percepção econômica, mas ainda não conseguiu transformar esse movimento em confiança majoritária no presidente.
A base mais favorável a Lula segue concentrada em segmentos conhecidos. A aprovação é maior entre quem votou nele, moradores do Nordeste, eleitores com renda familiar de até um salário mínimo, pessoas com 60 anos ou mais e católicos. No Nordeste, 60% aprovam a forma como Lula administra o país. Entre católicos, a aprovação chega a 52%.
O flanco mais sensível está nos jovens e adultos até 44 anos. Entre eleitores de 16 a 24 anos, 53% desaprovam Lula. Na faixa de 25 a 34 anos, a desaprovação chega a 56%. Entre os eleitores de 35 a 44 anos, o índice é de 53%.
Esse recorte acende alerta no Palácio do Planalto porque a juventude decide menos por memória dos governos anteriores do PT e mais por experiência direta com renda, plataforma digital, trabalho precário, endividamento, segurança e frustração cotidiana. Para esse público, a disputa política passa menos pela lembrança de 2003 e mais pela vida de 2026.
A pesquisa também precisa ser lida com uma ressalva temporal. O campo foi encerrado em 17 de junho e, portanto, não mede eventuais efeitos políticos posteriores ligados à operação da Polícia Federal no caso Master, que atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A investigação apura suspeitas; o senador nega irregularidades.
A oposição tentará usar os 50% de desaprovação e os 56% de desconfiança como prova de desgaste do governo Lula. O Planalto tentará responder com a queda da avaliação ruim ou péssima e a melhora na expectativa econômica. A pesquisa, na prática, entrega munição para os dois lados, mas não entrega vitória pronta a nenhum.
O conflito político está no tempo. Lula precisa converter percepção econômica em confiança antes que a campanha transforme a desaprovação em plebiscito contra o governo. A oposição precisa impedir que a melhora econômica reorganize o eleitor regular em torno do presidente.
Para 2026, o dado mais relevante não é apenas a desaprovação de 50%. É a combinação entre juventude refratária, confiança pessoal baixa e economia menos negativa. Se a economia avançar, Lula ganha espaço para respirar. Se a confiança continuar travada, a eleição será decidida no miolo que ainda avalia, compara e cobra resultado concreto.
O Blog do Esmael seguirá acompanhando a série Ipsos-Ipec, a ficha técnica completa do levantamento e os impactos políticos da pesquisa na disputa presidencial de 2026. Comente, compartilhe e acompanhe a cobertura política em tempo real.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




