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Greve volta ao radar com MP do Frete travada no Senado

A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) ameaçou convocar uma paralisação nacional se o Senado não votar, até 16 de julho, a Medida Provisória (MP) 1.343/2026, parada na Casa desde a aprovação pela Câmara dos Deputados em 17 de junho. O impasse recoloca caminhoneiros, agro, indústria e abastecimento em rota de colisão a menos de uma semana do fim da validade do texto.

A greve, porém, ainda não está confirmada. A ameaça foi feita por Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava, que responsabiliza o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por não incluir a matéria na pauta. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) adotou posição mais cautelosa e afirmou que uma paralisação depende de assembleias convocadas pelos sindicatos. O movimento, portanto, não representa até 10 de julho uma decisão unificada da categoria.

A MP está em vigor desde 19 de março e nasceu para impedir a contratação de fretes abaixo do piso definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O mecanismo central é o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), registro que reúne contratante, transportador, origem, destino, carga e valor da viagem. Pelo modelo adotado, o código não pode ser emitido quando o preço informado estiver abaixo do piso.

A versão original editada pelo governo previa multas entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões por operação irregular, além da possibilidade de suspensão do direito de contratar transporte. O texto aprovado pela Câmara reduziu penalidades, flexibilizou regras de reincidência e converteu em advertência determinadas multas administrativas aplicadas antes da publicação da futura lei.

Os deputados também ampliaram a MP. O Projeto de Lei de Conversão (PLV) 6/2026 criou piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas empregados em viagens de longa distância, alterou critérios de cálculo do frete, mexeu nas regras de excesso de peso e incluiu uma anistia para multas relacionadas aos bloqueios de rodovias realizados após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2022.

Esse enxerto político tornou a votação mais difícil. O Senado precisa decidir sobre uma proposta que mistura fiscalização econômica, salário, regras de trânsito e perdão a penalidades dos bloqueios de 2022. Ao mesmo tempo, caminhoneiros pressionam pela proteção do piso, enquanto representantes do agronegócio, da indústria e dos embarcadores alegam que o modelo pode elevar custos e reduzir a liberdade de negociação. A divergência entre os setores é apontada como um dos obstáculos ao acordo.

O que falta, na prática, é Alcolumbre incluir o PLV 6/2026 na ordem do dia e construir maioria para a votação. A tramitação oficial fixa 16 de julho como prazo final. Se a matéria não for aprovada, a MP perde eficácia e as novas ferramentas de fiscalização deixam de ter força de lei permanente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já cobrou a votação e defendeu que o valor do frete pago aos caminhoneiros está baixo. Reportagens sobre a negociação atribuem a demora à falta de acordo entre o governo, a direção do Senado e setores econômicos contrários ao texto. Não existe, porém, decisão oficial do Senado que explique formalmente por que a proposta permanece fora da pauta.

O Paraná tem três votos diretamente envolvidos: Flávio Arns (PSB), Oriovisto Guimarães (PSDB) e Sergio Moro (PL). Como o projeto ainda não foi submetido ao Plenário, nenhum deles registrou voto. Nas páginas oficiais e manifestações públicas consultadas até 10 de julho, também não foi localizada posição específica dos três senadores sobre a aprovação integral, a retirada da anistia ou a eventual alteração do PLV.

O silêncio pesa porque o Paraná reúne interesses colocados em lados diferentes da disputa. Caminhoneiros autônomos querem proteção contra contratos abaixo do piso. Cooperativas, agroindústrias e exportadores calculam o impacto das regras sobre soja, milho, farelo, carnes, leite, fertilizantes e demais cargas que cruzam o estado até o Porto de Paranaguá.

Em uma eventual paralisação, as primeiras cadeias sob risco seriam as que dependem de fluxo contínuo: combustíveis, produtos perecíveis, ração animal, insumos agrícolas e abastecimento de supermercados. O efeito sobre preços dependeria da duração e da adesão ao movimento. Uma ameaça isolada não aumenta automaticamente o preço dos alimentos, mas bloqueios prolongados reduzem estoques, atrasam entregas e pressionam o custo logístico.

O Porto de Paranaguá é o ponto mais sensível dessa engrenagem. Mais de meio milhão de caminhões passaram pelo pátio de triagem em 2025. Uma interrupção relevante alcançaria a fila de carregamento, os contratos das cooperativas, as janelas dos navios e a entrega de grãos e proteínas aos compradores externos. O Blog já mostrou como a MP do Frete mexe com caminhoneiros, cooperativas e Paranaguá.

A resposta objetiva ao consumidor é que a greve não está marcada nem reúne consenso nacional. Existe uma ameaça condicionada à perda de validade da MP. O preço do frete e dos alimentos pode sofrer pressão tanto por uma paralisação prolongada quanto pela reorganização dos contratos provocada pelas novas regras, mas nenhum aumento automático ou percentual pode ser afirmado antes da votação e da reação efetiva do mercado.

A contagem regressiva termina em 16 de julho. Até lá, Alcolumbre controla a pauta, os senadores controlam os votos e os caminhoneiros mantêm a ameaça sobre a estrada. No Paraná, Arns, Oriovisto e Moro precisam dizer se defendem o piso mínimo, se aceitam a anistia dos bloqueios de 2022 e se votarão antes que o prazo acabe.

Acompanhe no Blog do Esmael a votação da MP do Frete e os efeitos sobre caminhoneiros, cooperativas, supermercados, combustíveis e o Porto de Paranaguá.

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