O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta uma greve geral de 24 horas que travou transportes no país e cancelou voos com efeito imediato no Brasil. Quinta-feira (19), a paralisação convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) atingiu a aviação e derrubou a malha aérea entre aeroportos brasileiros e a Argentina, com passageiros buscando remarcação e reembolso.
De acordo com relato da imprensa portenha, mais de 350 voos cancelados na Argentina por causa do paro.
No Brasil, o impacto apareceu no painel dos aeroportos. Em Guarulhos, a GRU Airport informou 14 voos cancelados até a manhã de hoje.
Também houve cancelamentos no eixo Rio-Buenos Aires. Um balanço publicado no setor de turismo apontou, no Galeão, 16 voos de chegada e 15 de partida cancelados com origem ou destino na Argentina.
O tamanho do buraco é grande porque a greve pegou em cheio serviços aeroportuários e sindicatos da aviação. A Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos, com impacto estimado em 31 mil passageiros.
Do lado brasileiro, a notícia mais útil para quem vai viajar é simples. Antes de sair para o aeroporto, confirme o status do voo e procure a companhia para reacomodação, remarcação sem custo quando oferecida ou reembolso, conforme as regras divulgadas por cada empresa.
A greve foi convocada contra a reforma trabalhista em debate político, com sindicatos afirmando que o pacote abre caminho para precarização. A CGT ratificou a greve nacional e disse que o país seria paralisado “de ponta a ponta”.
No pano de fundo, a agenda econômica de Milei ganhou um aliado de peso fora de casa. O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou apoio à reforma trabalhista do governo argentino, segundo reportagem do jornal Página12.
A política neoliberal costuma vender “ajuste” como se fosse planilha neutra, mas a greve deixa uma evidência concreta, o conflito social cresce quando o Estado tenta empurrar a conta para quem vive de salário. A Argentina para, a aviação cai, e o Brasil sente na prática o efeito colateral de um modelo que promete eficiência e entrega instabilidade.
Com isso, a paralisação vira mais do que um episódio sindical. Ela é um alerta regional sobre o custo político e humano de desmontar direitos em velocidade de choque.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.