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Greca insinua traição e amplia desconfiança contra Ratinho no PR

O ex-prefeito de Curitiba e secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca (PSD), deixou escapar, em entrevista, que não confia mais na arbitragem do governador Ratinho Júnior (PSD) para escolher o candidato do partido ao Palácio Iguaçu, e a palavra “traição” apareceu como recado direto ao Centro Cívico, onde cresce a desconfiança sobre o comando da sucessão.

O “tri-prefeito” Greca escolheu um caminho raro para políticos do mesmo campo, expôs o incômodo publicamente e, ao mesmo tempo, manteve o tom de “não farei oposição ao Paraná”. A senha, porém, está nas entrelinhas: ao dizer que Ratinho “se autonominou árbitro do futuro de três pessoas”, Greca avisou que não aceita ficar prisioneiro de uma decisão solitária do governador.

Na fala, Greca reviveu um episódio que virou clássico interno da relação entre eles: uma cerimônia no restaurante Madalosso, descrita como “ceia de polenta”, quando Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, o tratou como “futuro governador”, na presença de Ratinho, sem contestação do anfitrião, segundo o próprio Greca. A lembrança funciona como prova de “promessa dada” e, na política, promessa lembrada em público costuma ser cobrança.

A promessa era Rafael Greca concluir o mandato na Prefeitura de Curitiba e, na sequência, em 2025, assumir a Secretaria das Cidades. No entanto, mesmo com o acordo relatado como firmado sob testemunhas, o governador Ratinho Júnior optou por nomear o secretário Guto Silva (PSD), movimento lido por aliados como parte da estratégia para projetá-lo na disputa pela sucessão estadual.

O ponto mais sensível é a palavra que Greca fez questão de tocar sem dizer tudo, “não há traição”. No Centro Cívico, esse tipo de frase raramente é inocente: quando alguém precisa jurar que não traiu, é porque se sente traído, ou porque sabe que será acusado de traição ao buscar outro caminho.

Ratinho Júnior, por sua vez, tenta enquadrar o ruído como “natural” e diz que não vai decidir sozinho. Em entrevista, ele promete uma escuta ampla, com prefeitos, deputados, secretários e “sociedade civil organizada”, citando cooperativismo e entidades empresariais como parte do desenho. É o discurso da “paz política” e da continuidade, marca que ele vende como ativo do governo.

Só que a promessa de consulta, do tamanho que ele descreve, abriu uma pergunta objetiva nos corredores: se a consulta apontar um nome que não seja o preferido do governador, Ratinho acataria.

É aí que entra a resistência política que se espalha no Paraná. A leitura, entre parlamentares e prefeitos, é que o governador mantém a caneta e, por isso, teria incentivos para controlar a lista, o roteiro e o desfecho. A dúvida não é sobre ouvir, é sobre cumprir.

O Blog do Esmael registrou um marco dessa desconfiança quando Greca ironizou a terceira exclusão consecutiva dele em pesquisas, com a frase sobre “pedir música no Fantástico”. Em política, exclusão recorrente não é acidente estatístico, é recado de bastidor.

A sequência alimenta o sentimento de que Ratinho perdeu o controle do processo sucessório enquanto flerta com o noticiário nacional. Até aliados ironizaram a viagem do governador aos Estados Unidos, com referência à Disney, num momento em que a sucessão e a corrida por 2026 pedem presença diária no Estado.

Nesse ambiente, Greca faz o movimento clássico de quem se recusa a “morrer na praia”: deixa aberta a porta para outra sigla, tenta preservar a imagem de aliado institucional e joga a conta no colo do governador. Se Ratinho quer ser árbitro, terá de explicar o apito.

O ex-prefeito de Curitiba tem convites de PP, MDB e Podemos. A exemplo do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), ele avalia o dia 20 de março como prazo-limite para uma eventual mudança de rumo. Nos bastidores, a hipótese de Rafael Greca e Alexandre Curi comporem uma chapa ao Palácio Iguaçu é tratada como possibilidade.

Se Ratinho Júnior diz que vai delegar a uma pesquisa a escolha do cabeça de chapa ao Palácio Iguaçu, a contrapartida lógica é ele manter a mão no restante da composição. Caberia ao governador definir o vice e os dois nomes ao Senado, para garantir coerência política, amarrar alianças e evitar que a ‘consulta’ vire uma disputa sem comando.

Portanto, a entrevista de Greca não é desabafo, é aviso. Quando a base pergunta “você confia no governador?”, e a resposta vira silêncio ou negação, a sucessão deixa de ser vaidade individual e passa a ser governabilidade do pós-Ratinho.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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