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Ratinho reencontra Curi, mantém 2026 indefinido no PSD

O governador Ratinho Júnior (PSD) voltou a se encontrar com o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), nesta segunda-feira (2). A conversa é política, mas o governador segue fugindo do assunto 2026 em público.

Eles já tinham se visto antes do Carnaval. Naquela ocasião, falaram de outubro e combinaram que as decisões não poderiam ficar para depois das férias.

No Centro Cívico, o prazo que manda é 4 de abril. É a data-limite para Ratinho decidir se sai do cargo para disputar o Planalto ou o Senado, ou se fica no Palácio Iguaçu e tenta conduzir a sucessão com a caneta na mão.

O problema é que esse silêncio cria um efeito colateral: ninguém do grupo sabe se está numa fila real ou numa sala de espera para nada.

É aí que o dilema de Alexandre Curi aperta. Se ele permanecer no PSD, fica dependente de uma decisão tardia do governador. A cada semana sem sinal, cresce o risco de virar refém do calendário.

Se Curi sair do partido, ele acelera a própria candidatura e ganha autonomia para negociar rumo e alianças. Mas paga um preço alto: pode avançar sem o apoio formal de Ratinho, algo que muda peso de estrutura, arranjo de alianças e narrativa de “candidato do governo”.

A novela também engoliu Rafael Greca (PSD), ex-prefeito de Curitiba e secretário do Desenvolvimento Sustentável. Na última semana, Ratinho foi perguntado sobre a possível saída do secretário e soltou, com desdém, a frase que viralizou nos meios políticos: “não vejo traição”.

No mundo real da política, quando alguém precisa dizer que “não é traição”, é porque a relação já está machucada, ou porque o rompimento está no ar.

O encontro de hoje ocorreu numa agenda de obras. Ratinho inaugurou o segundo lote da duplicação da Rodovia dos Minérios (PR-092), em Almirante Tamandaré, e assinou ordem de serviço para mais 8,3 quilômetros. Curi estava na lista de presenças.

A cena pública é a de governo trabalhando. O bastidor é outro: o governador segura o jogo, e os possíveis herdeiros contam dias.

O PSD do Paraná entrou numa encruzilhada simples de explicar. Ratinho quer manter todos por perto, porque isso impede debandada. Só que, quanto mais ele adia, mais empurra Curi e Greca para conversas reservadas com outras siglas.

Portanto, o reencontro não resolve o principal. Ele só confirma que a sucessão segue sem comando explícito, e sucessão sem comando costuma virar ruptura antes do prazo.

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