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Gleisi sai em defesa de Janja e denuncia misoginia por fala sobre TikTok na China

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A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, rompeu o silêncio nesta quarta-feira (14) para sair em defesa da primeira-dama Janja Lula da Silva. Em postagem nas redes sociais, ela denunciou a exploração midiática e política da fala de Janja durante jantar oficial com o presidente da China, Xi Jinping, na qual a primeira-dama abordou os impactos do TikTok no Brasil.

Gleisi foi direta: “Ela deveria ouvir calada por ser a primeira-dama? Ou simplesmente por ser mulher?” A parlamentar ainda lembrou que o próprio tema havia sido levantado por Lula, e que Xi respondeu positivamente, propondo enviar um representante ao Brasil para tratar do assunto.

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O ataque é misógino, e não diplomático

Desde o vazamento da conversa reservada entre Lula, Janja e Xi, setores da imprensa tradicional e da extrema direita passaram a classificar o episódio como “gafe” ou “quebra de protocolo”. O argumento central seria o suposto constrangimento causado à delegação chinesa.

No entanto, os próprios relatos oficiais desmentem esse enquadramento. O presidente Lula já esclareceu que foi ele quem iniciou a conversa sobre a regulação do TikTok. Janja apenas complementou, como cidadã politicamente consciente e profundamente envolvida no tema das redes sociais e seus efeitos sobre mulheres e crianças.

O problema, portanto, não está no conteúdo da fala. Está na figura de quem falou. Quando uma mulher, ainda mais a primeira-dama, ousa intervir em um debate considerado “técnico” ou “geopolítico”, parte da elite política e midiática brasileira reage com hostilidade.

Xi Jinping acolheu o debate. A extrema direita, não.

Longe de uma crise diplomática, o episódio expôs uma oportunidade de cooperação. Xi Jinping demonstrou abertura ao diálogo e propôs colaboração sobre a regulação de plataformas digitais. Um passo importante, considerando o tamanho do TikTok, a crescente tensão entre Estados Unidos e China sobre o tema, e o impacto real que a plataforma exerce no debate público global.

Na contramão, políticos da extrema direita brasileira — como Jair Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Carlos Jordy e Marcel Van Hattem — trataram o episódio como “vexame internacional”, distorcendo os fatos para atacar Lula, Janja e o projeto de regulação das redes.

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No Brasil, o clima de hostilidade contra mulheres em espaços de poder ganhou mais um episódio simbólico nesta semana. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), deputado Alexandre Curi (PSD), determinou o envio ao Conselho de Ética de todo e qualquer discurso de ódio e ataque misógino ocorrido no plenário. A decisão ocorre após uma série de episódios envolvendo deputadas da Casa e ataques reverberados também contra Janja e Gleisi.

“Não vou permitir que ideologias radicais contaminem esta Casa”, disse Curi, em posicionamento firme que ganha relevo no atual contexto político.

A fala de Janja é política — e legítima

A tentativa de silenciar Janja revela algo maior: o incômodo com o protagonismo feminino na política brasileira. O Blog do Esmael entende que a crítica à primeira-dama não é apenas diplomática ou protocolar — é estruturalmente misógina.

Quando Janja aponta os danos do TikTok — com base em sua vivência, conhecimento e proximidade com o tema — ela não invade terreno alheio. Ela ocupa um espaço que historicamente foi negado às mulheres. E isso incomoda.

Assim como Gleisi Hoffmann, é preciso dizer com todas as letras: Janja tem o direito de falar. E tem razão ao falar.

A regulação dos algoritmos não é censura. É uma necessidade democrática, uma demanda de proteção ao consumidor e uma pauta urgente de soberania digital. A resistência virulenta à fala de Janja apenas reforça a urgência do debate.