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Gleisi acusa Bolsonaro de ajudar Trump a sobretaxar o Brasil

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de colaborar com os Estados Unidos na decisão de sobretaxar exportações brasileiras. A crítica foi feita nesta quarta-feira (9), nas redes sociais, após a oficialização da tarifa de 50% por parte do governo de Donald Trump.

“O projeto do Lula é taxar os super-ricos. O de Bolsonaro é taxar o Brasil”, afirmou Gleisi, em postagem que repercutiu no Congresso e nos bastidores do Itamaraty. Segundo ela, as mentiras disseminadas por Bolsonaro e sua família sobre o Brasil e o STF serviram de pretexto para Trump justificar a nova barreira comercial.

A ministra disse ainda que o presidente dos EUA nunca esteve preocupado com democracia e que, na verdade, teme o fortalecimento das alianças econômicas do Sul Global, das quais o Brasil é protagonista nos BRICS e outros fóruns multilaterais. “Não seremos reféns de Trump nem de Bolsonaro”, completou.

As declarações de Gleisi ecoam uma entrevista exclusiva ao Blog do Esmael, concedida na última sexta-feira (4), na qual ela já alertava sobre a articulação entre a extrema direita brasileira e interesses americanos para desestabilizar o país até as eleições de 2026:

“A gente já tem uma articulação forte e institucional pra enfrentar isso. O que vivemos com Bolsonaro e aqueles golpistas é difícil de se repetir nesse curto período. Mas se a extrema direita voltar ao poder, o Brasil vai viver consequências muito graves.”

Questionada se acredita na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, Gleisi respondeu com firmeza:

“Eu acredito numa condenação. Há provas robustas no inquérito. Mas também é preciso garantir o devido processo legal, coisa que nós não tivemos [no caso Lula, durante a Lava Jato]. Ele tem que ter direito de defesa, mas vai ser condenado.”

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A fala de Gleisi, à luz da nova ofensiva comercial dos EUA, assume contornos mais amplos: ela vincula a retórica conspiratória bolsonarista aos interesses estratégicos americanos, que hoje se voltam contra o Brasil por sua postura independente na cena internacional.

O governo Lula, por sua vez, convocou o chefe da embaixada dos EUA em Brasília para prestar esclarecimentos. A medida busca reforçar a soberania nacional e delimitar o campo diplomático diante do acirramento eleitoral nos EUA, onde Trump acena à base bolsonarista como ativo internacional.