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A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, jogou luz sobre os bastidores da crise entre o governo Lula e os presidentes da Câmara e do Senado. Em entrevista exclusiva ao Blog do Esmael, nesta sexta-feira (4), em Curitiba, ela reconheceu o desgaste nas relações políticas, mas atribuiu o azedume a uma combinação de “interesses contrariados” de oligarquias financeiras e da velha mídia. “Foi uma surpresa a forma como pautaram matérias sem diálogo”, disparou.
Apesar da tensão, Gleisi não abandona o tom conciliador com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Questionada sobre a postura mais branda enquanto a militância progressista ataca Motta nas redes, ela justificou: “Tenho divergências profundas com ele na questão tributária, mas não se faz política com ataques pessoais. É no debate de ideias que avançamos”, afirmou.
A conta tem que ir para o andar de cima, diz ministra
Gleisi voltou a defender a taxação dos super-ricos e criticou as medidas de ajuste que penalizam os mais pobres. Segundo ela, o debate econômico atual precisa romper o ciclo de cortes em programas sociais e mirar quem ganha muito e paga pouco. “São 142 mil pessoas no Brasil com renda anual acima de R$ 1 milhão. Elas têm que contribuir mais para que milhões de brasileiros não sejam sacrificados”, destacou.
A ministra reafirmou que o governo vai insistir na proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e aumento da alíquota para os muito ricos, além de tributação sobre lucros, dividendos e apostas esportivas. “O Haddad fala, e eu repito: quem tá no andar de cima tem que pagar a conta”, enfatizou.
iof-suspenso-impacto-nas-contas-e-disputa-politica”>IOF suspenso: impacto nas contas e disputa política
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de suspender o decreto do IOF também foi tema da conversa. Gleisi admitiu o impacto fiscal, com perda de R$ 10 bilhões na arrecadação, e classificou o gesto como “salomônico”. Ela revelou que o governo terá de frear a execução orçamentária, mas minimizou o efeito estrutural. “Não se trata só do IOF. A disputa é sobre quem paga a conta do país: o trabalhador ou os mais ricos?”, provocou.
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Crise com Congresso e o recado dos presidentes
Para Gleisi, a reação dos presidentes do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta, ao pautarem temas sem acordo com o Planalto, foi um recado político. “Foi ruim, inesperado e atropelou a convivência parlamentar. Mas não é sustentável”, avaliou. Segundo ela, há insatisfação com vetos do governo e lentidão nos repasses de emendas, mas o caminho é baixar a poeira e retomar o diálogo institucional.
A ministra negou que o governo tenha perdido a base e garantiu que Lula recorrerá sempre ao diálogo e, quando necessário, ao Judiciário. “O presidente jamais deixará de usar suas prerrogativas”, frisou.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




