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Israel aprova plano de controle da Cidade de Gaza

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O Gabinete de Segurança de Israel aprovou um plano que abre caminho para o Exército assumir o controle da Cidade de Gaza, em fase operacional e sem execução imediata, segundo relatos oficiais e da imprensa israelense.

O desenho aprovado prevê a expansão da ofensiva, com avanço terrestre e manutenção de áreas ocupadas, o que, na prática, permitiria a presença permanente de forças israelenses em pontos estratégicos da Cidade de Gaza. O governo não anunciou tomada de controle de toda a Faixa, mas o plano inclui a possibilidade de “conquistar Gaza e manter os territórios”, linguagem que aponta para ocupação prolongada.

Bastidores e cálculo político

A decisão ocorre em meio ao impasse nas negociações de cessar-fogo e troca de reféns, usadas por Jerusalém como alavanca de pressão sobre o Hamas. A própria reunião do gabinete foi descrita por autoridades como parte de uma estratégia para aumentar custos ao grupo e arrancar concessões nas negociações.

Risco para reféns e desgaste interno

Militares alertaram ministros para o risco de a expansão colocar em perigo israelenses sequestrados, tese reforçada por familiares de reféns, que cobram acordo antes de qualquer operação mais profunda dentro de áreas densamente povoadas da Cidade de Gaza. O governo sustenta que a pressão militar visa derrotar o Hamas e libertar os sequestrados, mas reconhece que a implementação será gradual.

Pressão externa e crise humanitária

Aliados tradicionais de Israel elevaram a pressão por medidas efetivas contra a fome e por um cessar-fogo verificável. Paralelamente, o gabinete também carimbou mudanças na logística de ajuda humanitária para reduzir captura de insumos pelo Hamas, iniciativa que só deve sair do papel após novas etapas políticas e operacionais.

O que muda na Cidade de Gaza agora

Cidade de Gaza é alvo da ocupação de Israel.

• Curto prazo, expectativa de operações pontuais, inteligência e cercamento tático em bairros da capital do enclave.
• Médio prazo, avanço por eixos com retenção de terreno, ampliando pontos de revistas e presença militar contínua.
• Variáveis críticas, segurança de reféns, custo humano e governança de áreas civis depois da tomada.

Mortes e feridos, o retrato mais duro

Os ataques de 7 de outubro de 2023 deixaram cerca de 1.200 mortos em Israel e resultaram em mais de duas centenas de reféns, parte de um total superior a 1.650 vítimas israelenses desde então. Em 6 de agosto de 2025, estimava-se que 50 pessoas seguiam cativas em Gaza, segundo a ONU.

Em Gaza, o Ministério da Saúde contabiliza 61.158 mortos e 151.442 feridos desde 7 de outubro, números que a ONU usa como referência por serem considerados consistentes. Uma lista nominal divulgada em 4 de agosto aponta 31 por cento de crianças e 16 por cento de mulheres entre os óbitos identificados.

A fome e a desnutrição viraram causa adicional de morte. Até 30 de julho, as autoridades locais registravam 154 mortes relacionadas à desnutrição, 89 de crianças, enquanto a OMS confirmou 74 mortes por desnutrição somente em 2025, 63 delas em julho. As cifras crescem semana a semana e podem estar subnotificadas.

Leitura política

A aprovação do plano dá fôlego a Benjamin Netanyahu e endurece a posição de Israel à mesa de negociação. Mas amplifica dilemas estratégicos, entre eles, a responsabilidade sobre milhões de civis, o desgaste de reservistas e o isolamento diplomático se a ocupação se prolongar sem uma arquitetura política para o dia seguinte. O impacto sobre a Cidade de Gaza será imediato na rotina de quem já vive sob deslocamento forçado e insegurança alimentar. O interesse público exige prioridade absoluta para um acordo de reféns e um cessar-fogo sustentável, com monitoramento internacional e garantias de proteção a civis.

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