O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance (Partido Republicano), deixou Islamabad neste domingo (12) sem acordo com o Irã depois de 21 horas de negociação direta. O resultado manteve sob incerteza a trégua de duas semanas costurada pelo Paquistão e devolveu o Estreito de Ormuz ao centro do noticiário mundial.
O impasse ficou concentrado no núcleo mais duro da crise. Washington cobrou compromisso explícito de Teerã contra a busca de arma nuclear, enquanto o lado iraniano manteve exigências sobre Ormuz, reparações de guerra, ativos congelados e cessar-fogo mais amplo na região, inclusive no Líbano. O governo paquistanês pediu a manutenção da trégua, mas saiu da rodada sem resposta definitiva.
É por isso que Islamabad fracassou, mas Ormuz seguiu mandando no domingo. O estreito responde por cerca de 20% do fluxo global de energia, segundo a Reuters, e continuava bloqueado por Teerã desde o início da guerra, ainda que três superpetroleiros tenham atravessado a rota no sábado (11), num alívio mínimo diante de centenas de navios retidos no Golfo.
O mercado entendeu o recado sem rodeio. As bolsas do Golfo caíram na abertura de hoje, com recuo de 1% no Catar e de 0,5% na Arábia Saudita, porque o fracasso das conversas reacendeu a dúvida sobre a duração da trégua e sobre a normalização do transporte de petróleo e gás.
Para o Brasil, a conta tende a aparecer onde sempre aparece. Quando Ormuz trava, o barril encarece, o diesel entra em pressão, o frete sente primeiro e a inflação ganha combustível novo. A crise já mostrou esse tamanho: em 7 de abril, cargas físicas de petróleo rondavam US$ 150 por barril, e o Brent futuro havia alcançado US$ 119,50 em março, em meio ao aperto de oferta provocado pela crise no estreito.
Sem acordo em Islamabad, o mundo segue olhando para um corredor marítimo estreito que decide preço de energia, humor dos mercados e custo de vida muito além do Oriente Médio.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




