Michelle ativa pacto com Ratinho e empurra Barros ao Senado

A pré-candidatura do deputado Filipe Barros (PL-PR) ao Senado ganha novo fôlego com a vinda de Michelle Bolsonaro (PL) a Londrina neste sábado (8), às 8h, no Buffet Planalto. A agenda simboliza o cumprimento do pacto anunciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o governador Ratinho Júnior (PSD), em abril passado, garantindo ao parlamentar a primeira vaga ao Senado em 2026, e a segunda ao chefe do Executivo paranaense, “para ele ou quem indicar”.

Se Ratinho Júnior não disputar o Senado, ele poderá indicar para a segunda vaga seus aliados mais próximos: Guto Silva (PSD), secretário das Cidades, e Paulo Martins (Novo), vice-prefeito de Curitiba. Martins, vale lembrar, já chegou perto da eleição para o Senado em 2022, quando ficou atrás do ex-juiz Sergio Moro (União), que levou a vaga no chamado “olho clínico” do eleitor conservador paranaense.

O evento do PL Mulher será vitrine para Barros, considerado peça-chave do bolsonarismo no Paraná, e marca o início da caravana nacional de Michelle, que assume o papel de porta-voz eleitoral do campo conservador enquanto Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe.

Nesta sexta-feira (7), véspera do evento com a ex-primeira-dama, o Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento dos embargos de declaração da defesa do ex-presidente. Após o trânsito em julgado, Bolsonaro poderá cumprir pena em regime inicial fechado.

A escolha de Londrina não é acaso, mas estratégia para proteger o pacto político e testar a força mobilizadora do PL no Norte do Paraná. Dirigentes admitem que a presença de Michelle busca aquecer bases, atrair militância feminina e demonstrar que o acordo Bolsonaro–Ratinho segue vivo, apesar da instabilidade no campo da direita.

O pano de fundo é a fragilidade da alternativa construída em São Paulo. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) recuou publicamente de uma candidatura presidencial após o avanço de Lula (PT) nas pesquisas e a confirmação de sua entrada na disputa ao quarto mandato. O gesto abriu espaço para Michelle emergir como herdeira operacional do bolsonarismo, articulando alianças e mantendo a chama do campo radical acesa.

Nas hostes do PL, a visita é lida como ensaio presidencial e fortalecimento do eixo Paraná–Centro-Sul, onde o núcleo duro bolsonarista crê ter maior competitividade. A tarefa, porém, vai além da liturgia partidária: Michelle precisa reter o eleitorado radical, conter fissuras e reposicionar a extrema-direita após o desgaste jurídico da família Bolsonaro.

A ofensiva em Londrina será observada como medidor da capacidade de reconstrução e sobrevivência do bolsonarismo em ambiente hostil, com o Judiciário no encalço e a direita órfã de comando claro.

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