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‘Esta Câmara Municipal é ruim? Espera a próxima para ver…’

Atribui-se ao então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, o axioma “Está achando ruim essa composição do Congresso? Então espera a próxima: será pior. E pior, e pior…”. Ele era pessimista sobre o futuro do Congresso, que, por efeito dominó, poderia se repetir nas assembleias legislativas e câmaras municipais de vereadores. Então, seria justo especular nas eleições de 2024: ‘Esta Câmara Municipal é ruim? Espera a próxima para ver…‘.

A quantidade de empresários e profissionais liberais nos parlamentos de todos os níveis, que defendem o andar de cima, de certa forma, sociologicamente explica as decisões que são contrárias aos interesses da maioria da sociedade, formada por trabalhadores formais e informais; desendinheirados muitas vezes apoiam projetos dos que estão no topo da pirâmide, os mais ricos, em detrimento da base da pirâmide, que é formada pelos mais pobres, desempregados e explorados.

As recentes aprovações de temas caros para os do povo, como privatizações de escolas, energia, água, estradas, juros altos, gasolina cara, etc., muitas vezes têm a “simpatia” desses afetados economicamente.

Em um discurso que este blogueiro fez em um ato político, recordou seu tempo como militante do movimento estudantil, quando uma proposta dividia os parlamentos municipais, estaduais e nacional. Agora, nesses tempos de neoliberalismo e de ditadura da opinião única, os projetos contrários à maioria do povo – que versam sobre economia – são aprovados por unanimidade nessas casas legislativas. No entanto, uma ressalva: somente os temas identitários têm o condão de dividir Suas Excelências.

Karl Marx e Friedrich Engels introduziram o conceito de alienação, onde os trabalhadores se tornam estranhos aos produtos de seu trabalho, resultando em uma desconexão com a própria classe. Essa alienação é reforçada por uma falsa consciência, uma percepção distorcida da realidade social que impede os trabalhadores de reconhecerem sua exploração.

A classe dominante controla os meios de produção cultural, como mídia e educação, disseminando ideologias que favorecem o status quo. Esse controle ideológico perpetua a visão de que as condições sociais e econômicas são naturais e imutáveis, levando trabalhadores a aceitar sua posição subalterna.

A estrutura social oferece poucas oportunidades reais de mobilidade econômica e social. No entanto, a promessa de mobilidade pode levar os trabalhadores a se identificarem com a classe dominante, na esperança de ascender socialmente, adotando suas visões políticas como meio de alcançar essa aspiração.

O medo de perder empregos e benefícios adquiridos pode fazer com que os trabalhadores apoiem políticas e candidatos que prometem estabilidade, mesmo que esses sejam alinhados com a classe dominante. A insegurança econômica reforça a adesão a líderes que garantem manutenção do emprego, mesmo em condições desfavoráveis.

A fragmentação e individualização da classe trabalhadora, promovida por políticas neoliberais, enfraquece a solidariedade de classe. Sem um senso coletivo forte, os trabalhadores tendem a focar em soluções individuais, preferindo candidatos que oferecem soluções imediatas, ainda que insuficientes a longo prazo.

Portanto, não deixe este axioma de Ulysses Guimarães virar uma verdade absoluta nas eleições deste ano. Lute para mudar esta realidade [‘Esta Câmara Municipal é ruim? Espera a próxima para ver…’]. Não, não espere a próxima legislatura para ver.

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