O jornalista Esmael Morais, editor do Blog do Esmael, afirmou ao jornalista Luiz Nassif, do GGN, na noite desta quarta-feira (3), que o palanque montado por Sergio Moro (PL) com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Curitiba virou um problema político para a direita paranaense em 2026.
Na entrevista ao TV GGN 20 horas, Esmael disse que o ato realizado em 29 de maio, no Centro de Eventos Tarumã, funcionou como teste de palanque para a eleição presidencial de 2026, mas expôs contradições entre lavajatistas, bolsonaristas e aliados regionais.
Segundo ele, Moro tenta se apresentar como pré-candidato ao governo do Paraná, mas aparece colado a Flávio Bolsonaro em um momento de desgaste nacional do senador, citado no debate político por sua viagem aos Estados Unidos, pelas cobranças sobre tarifas contra produtos brasileiros e pelas suspeitas ligadas ao filme “Dark Horse”.
Esmael afirmou que a presença de Flávio Bolsonaro em Curitiba cria dificuldade direta para Moro, Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Paulo Martins (Novo), que dividiram o mesmo palanque no Paraná.
“O sujeito vai aos Estados Unidos pedir que produtos paranaenses e brasileiros sejam taxados”, afirmou Esmael, ao tratar do impacto político e econômico da movimentação bolsonarista sobre cadeias exportadoras do estado.
O jornalista citou madeira, carnes, ouro e contratos em dólar como áreas sensíveis da economia paranaense. A avaliação dele é que a instabilidade provocada por uma agenda de sanções externas contra o Brasil pode afetar empresas, empregos e negócios no Paraná.
Na entrevista, Esmael também disse que a direita tentou usar Curitiba como laboratório do “discurso do xingamento”. Segundo ele, o ato de 29 de maio teve ataques a Lula (PT), Gleisi Hoffmann (PT), Requião Filho (PDT) e ao campo progressista, mas pouca apresentação de proposta concreta para o país ou para o Paraná.
O editor do Blog do Esmael afirmou ter contado 69 xingamentos na transmissão do evento bolsonarista em Curitiba. Para ele, o número resume a dificuldade da direita em formular um projeto eleitoral para além da agressão verbal.
A conversa com Nassif também passou pela Lava Jato, pelo sistema financeiro, pela atuação de Moro no Paraná, pelo impacto das investigações sobre Daniel Vorcaro e pela possível contaminação dos palanques regionais da direita caso novas informações sobre o caso “Dark Horse” atinjam Flávio Bolsonaro.
Esmael avaliou que a eventual delação de Vorcaro, se confirmada e homologada pelas autoridades competentes, pode atingir o entorno político de Flávio Bolsonaro e criar custo eleitoral para aliados estaduais que se associaram ao senador.
No recorte paranaense, ele disse que Moro já perdeu gordura política desde o início da pré-campanha. Segundo a leitura apresentada no GGN, o ex-juiz pode derreter se a eleição for para o segundo turno, porque adversários históricos tenderiam a se unir contra sua candidatura.
Esmael também analisou a aliança entre Requião Filho e Gleisi Hoffmann. Ele afirmou que a composição entre PDT e PT no Paraná é histórica, pois reúne campos que estiveram separados por décadas na política estadual.
O jornalista citou ainda a entrada de Rafael Greca (MDB) na disputa pelo governo do Paraná como fator capaz de aumentar a chance de segundo turno. Para Esmael, a presença do ex-prefeito de Curitiba reorganiza o centro político e reduz a possibilidade de uma vitória de Moro já na primeira etapa da eleição.
A entrevista tratou também da situação do deputado estadual Renato Freitas (PT), ameaçado de cassação na Assembleia Legislativa do Paraná. Esmael afirmou que a ofensiva contra o mandato pode ampliar a mobilização nas periferias de Curitiba e projetar Renato como pré-candidato competitivo à Câmara dos Deputados.
Nassif e Esmael ainda discutiram a herança da Lava Jato no Paraná, os pedágios, a Operação Carne Fraca, as investigações sobre a 13ª Vara Federal de Curitiba e a relação entre sistema de Justiça, política e poder econômico.
Ao final, Esmael sustentou que a imagem de Curitiba e do Paraná como territórios automaticamente conservadores é uma narrativa incompleta. Ele lembrou que a Boca Maldita recebeu o primeiro grande ato das Diretas Já e que o estado já elegeu lideranças progressistas, inclusive Roberto Requião, Gleisi Hoffmann e administrações petistas em cidades importantes.
A entrevista ao GGN recolocou o Paraná no centro da disputa nacional: de um lado, a tentativa da direita de testar em Curitiba uma aliança entre bolsonarismo e lavajatismo; de outro, o esforço do campo progressista para transformar soberania, emprego, pedágio, Lava Jato e 2026 em uma mesma disputa política.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




