O jornalista e editor do Blog do Esmael, Esmael Morais, criticou duramente o Prêmio Nobel da Paz concedido à venezuelana María Corina Machado e revelou bastidores das movimentações políticas que envolvem o governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em entrevista à Revista Fórum, na noite de sexta-feira (10).
Durante o programa Jornal da Fórum, apresentado por Miguel do Rosário e pelo professor Henrique Rodrigues, Esmael afirmou que o Nobel concedido à líder da oposição venezuelana representa “um prêmio à cultura do golpismo latino-americano”.
Segundo ele, María Corina, que chegou a pedir intervenção militar dos Estados Unidos e das Forças de Defesa de Israel contra o governo de Nicolás Maduro, “foi transformada em símbolo da subserviência da Europa e da Suécia aos interesses de Washington”.
Esmael recordou ainda que o deputado e ex-senador Aécio Neves (PSDB-MG) manteve encontros com Corina antes e após o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, em 2016, e afirmou que “o tucano exportou o know-how do golpismo brasileiro para Caracas”.
Faria Lima e a engenharia eleitoral de 2026
Na parte política da entrevista, Esmael Morais analisou a disputa presidencial de 2026 e apontou o governador Tarcísio de Freitas como o nome já escolhido pela Faria Lima para representar o campo conservador.
Segundo o jornalista, a candidatura de Ratinho Jr ao Planalto é improvável.
“O governador do Paraná já está resignado. Ele será soldado de Tarcísio”, afirmou.
Esmael revelou que, em troca, Ratinho seria recompensado com a direção-geral da Itaipu Binacional caso a direita vença a eleição.
“A Itaipu tem orçamento maior que o do governo do Paraná e opera com pouca fiscalização, por ser uma empresa binacional”, observou.
Críticas à política de Tarcísio e bastidores da Faria Lima
Esmael Morais disse que a movimentação de Tarcísio para atacar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi resultado de pressão dos banqueiros e do setor financeiro paulista.
“As pesquisas qualitativas contratadas pela Faria Lima mostram que o governador estava perdendo terreno. Por isso, ele foi orientado a radicalizar”, disse.
O jornalista afirmou ainda que a decisão de Tarcísio de se filiar ao PL é “um passo estratégico para garantir o fundo eleitoral e unificar a direita”, mas alertou para o risco de “herdar a rejeição bolsonarista”.
Segundo ele, “a burguesia brasileira é pragmática e monitora pesquisas diárias. Se a aposta for em Tarcísio, o dinheiro e a estrutura virão com força total”.
Polarização e risco de nova crise institucional
Ao encerrar a entrevista, Esmael previu que a eleição de 2026 será ainda mais tensa que a de 2022.
“Será uma disputa cruenta, polarizada e perigosa. Se a direita perder no voto, pode tentar novamente um golpe. Isso virou moda na América Latina”, advertiu.
“Aécio fez escola em 2014, quando não reconheceu a vitória da Dilma. O Brasil foi laboratório para a extrema direita conspirar contra a vontade da maioria dos eleitores em vários países”, observou Esmael Morais, citando EUA, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela.
Para ele, a estabilidade democrática dependerá da mobilização popular.
“Sem povo nas ruas, o poder econômico impõe sua agenda. Só com pressão social é possível conter as derrotas do campo progressista”, concluiu.
A entrevista reforça a leitura de que os oligarcas do sistema finaceiro já operam uma engenharia eleitoral antecipada para 2026.
Esmael Morais, ao desnudar a engrenagem de poder entre Faria Lima, Tarcísio e Ratinho Jr, recoloca o debate sobre soberania e democracia no centro da cena.
Leia também no Blog do Esmael: EUA citam Pix, 25 de Março e até decisões do STF em ofensiva comercial contra o Brasil; Bolsonarismo em queda após defesa do tarifaço de Trump e ataques ao STF; Oligarcas projetam Brasil dos mais ricos com pesquisa eleitoral da Quaest

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




