O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), partiu para o ataque contra o PT e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), após liderar a derrota do governo na Câmara dos Deputados.
O movimento é visto como o pontapé da campanha presidencial de 2026, na qual Tarcísio é o nome ungido pela Faria Lima.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (9), o governador acusou o PT de promover uma “ampla campanha de desconstrução de imagem e reputação” contra ele.
O tom duro, até então incomum, marcou a transição de Tarcísio de um gestor técnico para um candidato político disposto a enfrentar Lula e o petismo de frente.
“Paciência tem limite. Há meses a gente vem sendo alvo de uma ampla campanha de desconstrução de imagem por parte do PT”, disse o governador.
“Tenha vergonha, Haddad. Respeite os brasileiros. Cortem gastos. O governo precisa sair do palanque”, disparou.
Nos bastidores, deputados do PL e do Centrão confirmaram que Tarcísio articulou pessoalmente a derrubada da Medida Provisória 1.303/25, que buscava compensar perdas na arrecadação com o aumento de impostos.
O gesto foi interpretado como um desafio direto ao Palácio do Planalto e um recado à Faria Lima de que o governador paulista é capaz de defender seus interesses no Congresso.
Horas depois da votação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou o episódio e o clima de disputa antecipada.
“Nossos adversários devem estar mais preocupados que eu”, disse o petista em entrevista à Rádio Piatã FM.
Lula também acusa os super-ricos de não quererem pagar impostos, enquanto os trabalhadores arcam com até 27,5% no Imposto de Renda.
A ofensiva digital de Tarcísio ocorre na esteira de uma pesquisa Genial/Quaest que mostrou o presidente Lula ampliando em 12 pontos a vantagem sobre o governador paulista em um eventual segundo turno em 2026.
O levantamento acendeu o alerta no QG político de Tarcísio, que vinha apostando em uma postura de neutralidade institucional.
Ao citar suas entregas em São Paulo, como a Tabela SUS Paulista e o avanço nas obras paradas do metrô e do Rodoanel, o governador ensaiou o discurso que deve embalar sua campanha nacional.
“A gente precisa trabalhar, entregar e fazer a diferença”, afirmou, em tom claramente eleitoral.
Com o ataque público ao PT e a Haddad, Tarcísio de Freitas rompe a linha de conforto que o mantinha como gestor técnico e entra oficialmente na arena política.
A guerra de narrativas entre o Planalto e o Palácio dos Bandeirantes tende a se intensificar à medida que 2026 se aproxima.
Tarcísio fez o que os estrategistas da Faria Lima cobravam: vestiu a carapuça de opositor e assumiu o papel de anti-Lula.
A guinada o coloca de vez no jogo presidencial, mas também o obriga a enfrentar o desgaste precoce de quem antecipa o embate com o líder mais popular do país.
Tarcísio visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão domiciliar em Brasília, há dez dias, quando recebeu as bênçãos para disputar o Palácio do Planalto em 2026.
Com o intuito de evitar antecipar a batalha eleitoral, o governador vinha adotando o discurso da reeleição em São Paulo e negando intenção de concorrer à Presidência da Republica.
No entanto, Tarcísio agora resolveu reagir depois cair nas pesquisas devido sua associação ao bolsonarismo.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que é vergonhoso o governador Tarcísio fingir que não atuou para sabotar a MP 1303, quando até o líder da oposição agradeceu a ele.
“O que Tarcísio quer esconder do eleitor é que ele é o candidato dos bilionários, das bets e dos golpistas. Não pensa no povo nem no país”, carimbou a responsável pela articulação política do Planalto.
Até o fechamento desta matéria, o ministro Fernando Haddad ainda não havia se manifestado publicamento sobre os ataques desferidos contra ele por Tarcísio de Freitas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




