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Emprego cresce, mas juro alto segura salário no país

O presidente Lula (PT) ganhou na quarta-feira (29) um dado para disputar a narrativa econômica: o Brasil abriu 228.208 vagas formais em março de 2026, mas o salário médio real de admissão perdeu força na comparação anual, enquanto a Selic segue em 14,50% ao ano.

O resultado veio do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Foram 2.526.660 admissões e 2.298.452 desligamentos. No primeiro trimestre, o saldo chegou a 613.373 empregos formais.

O estoque de trabalhadores com carteira assinada subiu para 49.082.634 vínculos, o maior número da série informada pelo MTE.

O número é positivo para Lula porque emprego com carteira pesa no bolso, na mesa e na percepção de estabilidade da família trabalhadora.

Mas a foto completa é menos confortável para o governo.

Entretanto, março desacelerou em relação a fevereiro, quando o país havia criado 268.384 vagas formais. A queda foi de 15% na abertura de postos de trabalho de um mês para o outro.

O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.350,83 em março. Em março de 2025, era de R$ 2.368,33.

A diferença é de R$ 17,50 a menos para quem entra no emprego formal. O dado é pequeno na planilha, mas pesa para quem pega ônibus, compra comida e paga boleto.

É aí que o juro alto aparece no contracheque.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual na quarta-feira (29), de 14,75% para 14,50% ao ano. O corte foi unânime, mas manteve o Brasil em patamar de juro que encarece crédito e freia consumo.

Na linguagem do brasileiro médio: a empresa contrata, mas pensa duas vezes antes de ampliar produção; o trabalhador arruma emprego, mas pega crédito caro; o salário entra, mas rende menos diante do custo da dívida.

Serviços puxaram o saldo de março, com 152.391 vagas. Construção abriu 38.316 postos, indústria criou 28.336 e comércio registrou 27.267. A agropecuária fechou 18.096 vagas, segundo o MTE.

No trimestre, serviços também lideraram, com 382.229 vagas. Construção somou 120.547, indústria abriu 115.310, agropecuária criou 14.752 e comércio perdeu 19.525 postos.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT-SP), atribuiu a perda de velocidade aos juros altos. Em entrevista, ele disse que o país entrou em “diminuição da velocidade de crescimento” da geração de empregos e cobrou corte maior da Selic.

A disputa política está dada.

Lula pode mostrar carteira assinada. O Banco Central responde com cautela. O mercado financeiro cobra juro alto. O trabalhador fica no meio, com emprego novo, salário de entrada pressionado e crédito caro.

O dado do Caged ajuda o Planalto, mas não encerra a conversa econômica. Emprego sem salário forte vira defesa curta demais contra a vida cara.

A pauta do governo, portanto, não pode parar na comemoração do saldo positivo. Precisa bater no ponto que aparece no fim do mês: o país cria vaga, mas o juro alto continua segurando renda, consumo e crédito.

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