O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um momento delicado em seu terceiro mandato. Recentes pesquisas indicam uma queda significativa na aprovação de seu governo, inclusive em regiões e grupos que historicamente o apoiaram. Os números vieram à tona nesta quarta (29), mesmo dia que o Copom decide a nova taxa de juros Selic. A expectativa do “mercado” [os mais ricos da sociedade] é de aumento de um ponto, de 12,25% para 13,25%.
De acordo com levantamento do PoderData realizado entre 25 e 27 de janeiro de 2025, 51% dos brasileiros desaprovam a gestão atual, enquanto 42% a aprovam. Este é o pior índice desde o início do mandato, em janeiro de 2023. O levantamento corrobora a pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira (27), e da Paraná Pesquisas, que vinham apontado queda na aprovação de Lula desde o fim do ano passado.
A pesquisa do PoderData revela hoje uma diminuição do apoio entre eleitores que votaram em Lula em 2022. Atualmente, 23% desses eleitores desaprovam a administração, um aumento em relação aos 10% registrados no início do mandato. Além disso, a aprovação entre esses eleitores caiu de 87% para 73% no mesmo período.
No Nordeste, região que sempre foi um bastião do PT, a desaprovação subiu de 35% para 43% desde a posse. A aprovação caiu de 55% para 51%, reduzindo a diferença entre aprovação e desaprovação de 20 para 8 pontos percentuais.
Entre os católicos, a aprovação ao governo caiu de 62% para 48% nos últimos dois anos, enquanto a desaprovação aumentou de 31% para 43%. Entre os evangélicos, 68% desaprovam a gestão, e apenas 26% a aprovam.
Esses números refletem gargalos econômicos e de comunicação enfrentados pelo governo. A alta do dólar e o aumento dos preços dos alimentos têm pressionado o poder de compra da população, gerando insatisfação. Além disso, medidas como o “Pixgate” afetaram negativamente a percepção pública.
Em dezembro de 2024, o governo federal, sob a liderança do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aprovou um pacote fiscal com o objetivo de conter o crescimento das despesas públicas e equilibrar as contas do país. Entre as medidas adotadas, destaca-se a limitação do aumento real do salário mínimo a até 2,5% acima da inflação, com reajuste mínimo de 0,6%. Essa mudança altera a regra anterior, que vinculava o crescimento do salário mínimo à inflação e à variação do PIB de dois anos antes.
Além disso, o pacote fiscal incluiu alterações no Benefício de Prestação Continuada (BPC), buscando critérios mais rígidos para a concessão do benefício. No entanto, durante a tramitação no Congresso, algumas dessas medidas foram suavizadas, reduzindo a economia inicialmente prevista pelo governo.
Essas medidas têm impacto direto sobre aposentados e pensionistas, uma vez que o reajuste do salário mínimo influencia os benefícios previdenciários. A limitação no aumento real pode afetar o poder de compra desses cidadãos, especialmente em um cenário de inflação persistente. O governo argumenta que as medidas são necessárias para garantir a sustentabilidade fiscal e evitar um aumento descontrolado da dívida pública.
É essencial acompanhar de perto os desdobramentos dessas políticas e seus efeitos na vida dos brasileiros, especialmente os mais vulneráveis, para garantir que o fetiche do equilíbrio fiscal não comprometa a justiça social.
O governo precisa reavaliar suas estratégias para reconquistar a confiança da população, especialmente entre seus apoiadores tradicionais. A implementação de políticas eficazes e uma comunicação clara serão essenciais para reverter esse cenário. No entanto, Lula precisa modificar os rumos da economia, caso deseje buscar a reeleição nas eleições de 2026. Como foi dito aqui no Blog do Esmael, somente a narrativa de “salvar a democracia” não enche barriga nem paga boleto.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




