Eleição do Confea leva Paraná à disputa nacional
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Eleição do Confea leva Paraná à briga pelo comando

A eleição do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) leva o Paraná ao centro de uma disputa nacional que será decidida pela internet em 3 de julho de 2026, com mandato de 2027 a 2029 e impacto direto sobre fiscalização profissional, obras, agronomia, geociências e a Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea (Mútua).

O pleito não tem urna partidária, santinho de legenda ou palanque convencional, mas está longe de ser uma escolha sem política. O Confea regula um sistema que dialoga com infraestrutura, habitação, energia, saneamento, indústria, agronegócio, universidades e contratos públicos.

A votação ocorrerá das 8h às 19h, no horário de Brasília, exclusivamente pela internet. Poderão votar profissionais registrados e em dia com suas obrigações no Sistema Confea/Crea, conforme a regra eleitoral, além dos delegados eleitores credenciados nos casos previstos.

O tamanho da eleição cresceu depois da virada digital. Em 2023, na primeira eleição geral online do sistema, 141.784 eleitores participaram do pleito, em um universo de 739.428 profissionais habilitados. O dado transformou a campanha de conselho profissional em disputa de comunicação nacional.

Na prática, a disputa precisa ser lida com cuidado. Não há pesquisa pública auditada que permita cravar favoritismo com número. O que existe, até aqui, é uma correlação de forças entre máquina institucional, capilaridade nos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Creas), presença nas entidades de classe e campanha digital.

O atual presidente licenciado, Vinicius Marchese Marinelli, chega à disputa com a força de quem venceu em 2023 e com discurso de modernização do sistema. Sua candidatura busca associar gestão, tecnologia, redução de burocracia e aproximação com profissionais mais jovens.

Joel Krüger, engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), é o nome paranaense de maior peso na disputa. Ele presidiu o Confea entre 2018 e 2023, comandou o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) por dois mandatos e foi eleito diretor-presidente da Mútua em 2024, cargo do qual aparece licenciado.

Essa é a engrenagem que torna Krüger competitivo. A Mútua não é detalhe administrativo e burocrático. Ela reúne benefícios, assistência e serviços que chegam ao cotidiano de profissionais do sistema, especialmente nos estados onde associações, sindicatos e lideranças regionais mantêm rede de influência.

Henrique Leite Luduvice também carrega história dentro do Confea. Foi presidente do conselho nos mandatos de 1994 a 1996 e de 1997 a 1999. Seu programa fala em soberania nacional, defesa das engenharias, fortalecimento das entidades e revisão da legislação profissional.

Luiz Antonio Corrêa Lucchesi, professor e engenheiro agrônomo ligado à UFPR, representa uma pressão que vem da agronomia, da academia e do setor produtivo. Sua presença impede que a eleição fique restrita à velha disputa da engenharia civil pelo comando institucional.

O Paraná aparece por duas portas. Pela biografia de Krüger, com base histórica no Crea-PR, e pela presença de Lucchesi, ligado à UFPR e ao debate técnico do agronegócio. Para um estado que se apresenta como potência agroindustrial, a eleição do Confea conversa com pedágio, logística, fiscalização de obras, inovação no campo e formação profissional.

Há ainda ruído processual que precisa ser acompanhado até a lista final de candidatos estar pacificada na comunicação oficial. O edital de 4 de maio deferiu registros de Henrique Luduvice, Joel Krüger, Luiz Lucchesi e Vinicius Marchese, enquanto apontou indeferimentos. Depois, novas publicações da Comissão Eleitoral Federal (CEF) registraram recursos e trânsito em julgado de decisões eleitorais.

O essencial, para o eleitor e para o leitor, é separar campanha de conselho profissional de propaganda corporativa. O próximo presidente do Confea não cuidará apenas de ritos internos. Ele terá voz sobre fiscalização, normas, qualidade de cursos, valorização profissional, relação com o Congresso Nacional e peso técnico em obras públicas e privadas.

A disputa também testa um fenômeno maior. Conselhos profissionais, antes restritos a plenárias, atas e articulações de bastidor, entraram na era do voto online, das redes sociais e da campanha segmentada. Quem dominar WhatsApp, entidades regionais e linguagem simples para explicar propostas larga com vantagem real.

A mesma lógica vale para os Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Creas), porque a eleição de 3 de julho de 2026 também escolherá os 27 presidentes estaduais, um em cada unidade da Federação. Em Santa Catarina, Priscila Andrade, a Prysky, citada recentemente pelo Blog do Esmael como primeira mulher a disputar a presidência do Crea-SC, virou exemplo dessa nova pegada digital: candidatura com rosto, rede social, linguagem direta e disputa de narrativa fora do circuito fechado das plenárias.

O Confea decide em julho quem falará em nome de engenheiros, agrônomos, geólogos, geógrafos e meteorologistas num país que ainda convive com obra parada, infraestrutura cara, curso ruim, fiscalização desigual e profissional mal remunerado. O Paraná não assiste de fora. Está dentro da disputa e quer ampliar seu peso no sistema.

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