O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou mais uma dor de cabeça na tentativa de reorganizar sua pré-campanha presidencial: o Banco Modal pediu à Justiça o bloqueio de eventuais pagamentos do PL ao publicitário Eduardo Fischer, consultor estratégico de comunicação do filho zero um de Jair Bolsonaro.
Segundo a Folha de S.Paulo, o pedido foi feito em uma ação na qual o banco cobra de Fischer uma dívida calculada em cerca de R$ 114 milhões, já com juros, correção monetária e multa.
A notícia atinge justamente o homem escalado para tentar dar forma à comunicação de Flávio Bolsonaro depois do desgaste provocado pelo caso Banco Master.
O publicitário chegou à campanha como nome de grife da propaganda brasileira. A política, porém, raramente perdoa ironias: o “gênio” chamado para salvar a imagem do candidato agora entra no noticiário por uma cobrança milionária na Justiça.
A defesa de Fischer disse à Folha que ele foi avalista em transações e que vem pagando as dívidas “na medida das possibilidades”.
Pedido de bloqueio não é condenação, e dívida cobrada em ação judicial não autoriza tratar Fischer como culpado de irregularidade eleitoral. O fato político, porém, já está posto: a pré-campanha de Flávio Bolsonaro passa a ter também um problema de constrangimento financeiro no entorno de sua comunicação.
O caso amplia a sequência ruim do senador. Primeiro vieram os áudios e as revelações sobre sua proximidade com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Depois, a tentativa de buscar Donald Trump nos Estados Unidos para converter crise doméstica em palco externo.
Agora, o flanco aberto está dentro da sala de estratégia.
A comunicação de uma campanha serve para organizar narrativa, reduzir dano e definir alvo. No caso de Flávio Bolsonaro, a contratação de Fischer deveria vender controle, profissionalismo e retomada de rumo. A cobrança do Banco Modal empurra a conversa para outro terreno: dívida, bloqueio judicial e dinheiro do partido.
O PL também entra na fotografia. Se a Justiça aceitar o pedido, eventuais pagamentos partidários ao publicitário poderão ser alcançados pela disputa judicial. Isso não muda, por si só, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, mas cria ruído em uma área sensível: o caixa e a comunicação.
Para a direita paranaense, o episódio chega em péssima hora.
Flávio Bolsonaro é esperado em Curitiba na sexta-feira (29), em evento organizado em torno do aniversário do deputado Filipe Barros (PL), pré-candidato ao Senado. A visita já estava marcada sob o peso do BolsoMaster. Agora carrega também a pergunta sobre quem conduz a comunicação do candidato e com que desgaste.
Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol e Filipe Barros podem tentar tratar o caso como assunto de Brasília. O problema é que a agenda no Paraná transforma a crise nacional em fotografia local.
A base bolsonarista pode fingir que a cobrança judicial contra Fischer não tem impacto eleitoral. O eleitor de centro, porém, costuma ler esses sinais de outro jeito: quando a campanha chama um bombeiro e o bombeiro chega cercado por fogo, a crise deixa de ser ruído e vira método.
Flávio Bolsonaro precisava de um marqueteiro para explicar Vorcaro, Banco Master, filme de Bolsonaro e desgaste nas pesquisas. Ganhou uma nova manchete sobre bloqueio de pagamento, dívida milionária e Justiça.
A pergunta, agora, é simples: se esse é o gênio chamado para salvar a campanha, quem salva a campanha do gênio?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




