O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), está a um passo de renunciar à Prefeitura para disputar o Governo do Paraná, segundo apuração do Blog do Esmael. Há seis dias, ao ser perguntado pelo blog, ele chamou a hipótese de “muita especulação”. Agora, o prazo eleitoral encurta a margem de recuo: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa que, em casos de desincompatibilização de seis meses, a contagem para 2026 parte de sexta-feira (4 de abril), e o próprio tribunal usa o exemplo do prefeito que precisa se desvincular do cargo para concorrer ao governo do estado.
No entorno do prefeito, a pressão do Palácio Iguaçu já é tratada como fato, embora aliados insistam que Eduardo Pimentel ainda não bateu o martelo sobre deixar a prefeitura.
Se o movimento se confirmar, Ratinho Junior (PSD) levará para a sucessão seu nome mais forte em Curitiba e abrirá a prefeitura para o vice Paulo Martins, empossado ao lado de Pimentel em janeiro de 2025. Martins estaria prestes a trocar o Novo pelo PSD. Desde que desistiu do Planalto, o governador reorganiza a base e, segundo apuração do Blog do Esmael, deve anunciar no início da próxima semana o cabeça de chapa e o nome ao Senado.
É nesse ponto que a conversa de bastidor ganhou densidade nesta quinta-feira (26). Fontes palacianas ouvidas pelo Blog do Esmael sustentam uma chapa com Pimentel na cabeça, Guto Silva (PSD) na vice e Alexandre Curi (PSD) no Senado. Curi ainda não confirmou publicamente essa rota. A hipótese do Senado circula sem aval público do presidente da ALEP.
Rafael Greca, hoje no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), continua sendo a peça mais incômoda dessa montagem. Ele oficializou a filiação ao partido no dia 19 e confirmou publicamente a pré-candidatura ao governo, embora o entorno do Palácio Iguaçu trabalhe para acomodar sua situação antes do prazo fatal.
Outro personagem citado por parlamentares é Daniel Pimentel Slaviero, irmão de Eduardo e presidente da Copel, empresa de energia privatizada em 2024. No bastidor, ele é tratado como um dos nomes que ajudam a dar sustentação ao desenho político em torno do prefeito curitibano.
A leitura do governismo é simples. Pimentel entrega densidade na capital, Guto fala com o sudoeste e Curi, se topar a missão ao Senado, amarra a máquina política do interior. É uma conta feita para enfrentar Sergio Moro (PL) no terreno em que o ex-juiz mostra mais dificuldade, a política municipal.
E essa dificuldade cresceu nesta quinta-feira. Fernando Giacobo deixou a presidência do Partido Liberal (PL) no Paraná, após a filiação de Moro, e ao menos 49 dos 52 prefeitos da sigla anunciaram saída em Curitiba. A debandada teve nomes de cidades importantes, como Cascavel, Foz do Iguaçu e Araucária. Os 49 prefeitos administram cerca de 2 dos 11 milhões de eleitores paranaenses.
Por isso, a eventual renúncia de Eduardo Pimentel deixou de ser conversa lateral e entrou no miolo da sucessão. Até aqui, ainda não há decisão oficial. O que existe é um bastidor muito adiantado, uma data-limite na mesa e um governador obrigado a fechar a chapa inteira de uma vez. Se Pimentel der esse passo, Curitiba muda de prefeito e o Paraná muda o eixo da disputa de 2026.
O grau de tensão no meio político já produziu até balão de ensaio. Na noite dessa quarta, circulou no WhatsApp uma mensagem sem autoria confirmada convocando um jantar na segunda-feira (30), quando o governador, supostamente, anunciaria Eduardo Pimentel diante de 4 mil pessoas. Os citados negaram o encontro.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




