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Economia, ambiente, eleições e os desafios que nos aguardam

Amigos e amigas do Blog do Esmael, vamos prosear um pouco sobre alguns temas que têm mexido com o nosso país e nossos vizinhos. Recentemente, estive pensando sobre como a história se repete, mas com novos personagens e cenários.

Começo contando uma conversa que tive com um empresário argentino preocupado com a inflação galopante em seu país. Ele mencionou a esperança depositada em Javier Milei, que promete soluções rápidas para esse problema. Lembrei-me de nossa própria batalha contra a inflação nos anos 80 e 90. Em 1984, o Brasil enfrentou uma inflação anual de impressionantes 215%. Já em 1994, chegamos a 40% ao mês. Foi um período em que o dragão da inflação parecia indomável.

Expliquei a ele que nosso plano para estabilizar a economia focou em proteger o dinheiro dos mais ricos e implementar políticas fiscais que, muitas vezes, penalizavam o consumo popular. Taxamos o que o povo compra e desoneramos a produção, sem tocar nos lucros astronômicos das grandes fortunas e do capital financeiro. E, para coroar, temos um Banco Central independente, mas que parece independente apenas da sociedade, já que serve aos interesses do mercado financeiro.

Hoje, no Brasil, nos vemos presos em uma armadilha de juros estratosféricos que inibem o consumo, o investimento e a geração de empregos.

Os juros altos favorecem quem? Certamente não é o trabalhador que luta para fechar as contas no fim do mês. Também não é o pequeno empresário que busca expandir seu negócio. Beneficia, isso sim, o capital financeiro, que lucra com a especulação em vez de investir na produção.

As reformas trabalhista e previdenciária dos últimos anos precarizaram as relações de trabalho, tornando a mão de obra mais barata e aumentando os lucros empresariais. Isso criou um cenário de desemprego estrutural que mantém os salários baixos e a população em situação vulnerável. A inflação pode até estar controlada, mas a que custo? Sem consumo e com desemprego alto, o país se torna um barril de pólvora, propenso a conflitos e tensões sociais.

Mudando de cenário, recordo-me de minha juventude no interior do Paraná, em uma cidade chamada Califórnia. Lá, era impensável pagar por frutas ou verduras; tudo estava ao alcance das mãos nos quintais e sítios. Hoje, essa realidade mudou drasticamente. As pequenas propriedades deram lugar a grandes latifúndios dedicados à monocultura, como a soja. Os pomares e hortas desapareceram, e agora dependemos de produtos que vêm de longe, pagando preços equivalentes aos de grandes metrópoles.

Essa transformação não é apenas econômica, mas também social e ambiental. Perdemos a diversidade agrícola e a autonomia alimentar, o que nos torna mais vulneráveis a crises e oscilações de mercado.

Recentemente, recebi uma mensagem de alguém próximo que está no Canadá. Ela comentou sobre as queimadas e incêndios florestais no Brasil, alertando para os impactos de longo prazo desses eventos. Enquanto algumas práticas agrícolas utilizam o fogo para renovar o solo, os incêndios criminosos destroem ecossistemas inteiros e abrem caminho para disputas por terras que, muitas vezes, pertencem à União. A fumaça pode até se dissipar, mas o dano ambiental e social permanece por décadas.

E é nesse contexto que nos aproximamos das eleições municipais em mais de 5 mil municípios brasileiros. Infelizmente, muitos candidatos e partidos parecem alheios a essas questões fundamentais. Em um sistema eleitoral com falhas evidentes, debates profundos dão lugar a discussões superficiais ou importadas de outras realidades. É curioso notar que algumas pessoas conhecem mais os candidatos de outras cidades do que os de suas próprias.

Além disso, há uma desigualdade gritante na distribuição do fundo eleitoral e do tempo de propaganda. Partidos menores têm pouco espaço para apresentar suas propostas, enquanto os maiores dominam a cena. Isso contraria o princípio da alternância de poder e enfraquece a nossa democracia.

Também observamos debates acalorados sobre a regulamentação das redes sociais e o combate à desinformação. É fundamental encontrar um equilíbrio entre a liberdade de expressão e a responsabilidade na disseminação de informações. A tecnologia avança rapidamente, e nossas leis e políticas precisam acompanhar essas mudanças para garantir um ambiente digital saudável. Um novo marco dos algoritmos se faz necessário para encarar esta demanda sob o prisma consumerista.

As eleições de 2024 estão batendo à porta, e os ventos do continuísmo sopram em várias capitais do Sul do país. Em Curitiba, por exemplo, há uma tendência de manutenção do atual grupo político, que agora busca apoio de setores mais conservadores para garantir a vitória no primeiro turno. Já em outras regiões, o cenário é de disputas acirradas e imprevisíveis.

E por mais que queiramos traçar paralelos com as eleições de 2026, a verdade é que cada pleito tem sua dinâmica própria. Lembremos que, em 2020, certos grupos políticos tiveram desempenho modesto nas municipais, mas ressurgiram com força nas nacionais. A política brasileira é cheia de reviravoltas, e subestimar essa capacidade de mudança é um erro estratégico.

Em resumo, caros leitores, vivemos tempos difíceis que exigem reflexão e participação ativa. Precisamos discutir não apenas nomes, mas projetos de país que contemplem a economia, o meio ambiente e a justiça social. Só assim poderemos construir um futuro mais justo e sustentável para todos.

E como sempre, seguimos juntos nessa caminhada, atentos e vigilantes. Aqui no Blog do Esmael, o compromisso é com a informação e o debate de ideias.

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