O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) saiu oficialmente do governo nesta sexta-feira (20), com a publicação no Diário Oficial da União (DOU) de sua exoneração e da nomeação de Dario Carnevalli Durigan para o comando da pasta. Só que a troca não ficou no plano administrativo. No mesmo dia, Haddad já apareceu no front paulista, atacou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e tratou Geraldo Alckmin (PSB) como vice natural de Lula.
Em português claro, Brasília fechou uma porta e abriu outra. A saída de Haddad da equipe econômica deixou de ser “troca anunciada” e virou fato consumado com consequência eleitoral imediata. O Planalto manteve a Fazenda sob comando de um nome da confiança direta de Haddad e, ao mesmo tempo, soltou o ex-ministro no palanque do maior colégio eleitoral do país, peça vista pelo PT como estratégica para reforçar a campanha de reeleição de Lula em São Paulo.
Durigan não chega como figura lateral. Ele já ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda desde junho de 2023, era o número dois da pasta e vinha operando agendas sensíveis do governo. Na véspera da posse, por exemplo, apareceu à frente da ofensiva para integrar dados de notas fiscais dos combustíveis entre estados e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), numa tentativa de frear abusos no diesel em meio à turbulência internacional.
Isso ajuda a entender por que a prioridade número 1 do governo foi blindar a Fazenda com continuidade. Durigan conhece a máquina, participou das principais frentes da gestão Haddad e já tinha virado rosto público da pasta em temas delicados. A mensagem do Planalto foi simples: Haddad sai para a campanha, mas a cozinha econômica fica com alguém da casa.
Do outro lado da operação, Haddad não perdeu tempo. Em conversa com jornalistas nesta sexta-feira, disse que Tarcísio “não tem nenhuma familiaridade com São Paulo”, retomou a crítica ao vínculo político do governador com o estado e ainda usou Simone Tebet (MDB) como contraste, afirmando que a ministra tem mais raízes paulistas que o adversário bolsonarista.
Haddad também se mexeu no cenário nacional. Chamou de natural a permanência de Alckmin como vice de Lula e avisou que vai ouvir o ex-governador paulista sobre a melhor composição para a disputa estadual. Ao defender a manutenção da chapa presidencial de 2022, o petista mandou um recado duplo: preserva a aliança que derrotou Jair Bolsonaro (PL) e tenta evitar que São Paulo vire um campo fragmentado para o lulismo em outubro.
A jogada tem tamanho nacional. A candidatura de Haddad é tratada pelo Partido dos Trabalhadores como instrumento para fortalecer Lula em São Paulo, estado decisivo na eleição presidencial e hoje dominado por Tarcísio, aliado do bolsonarismo. Portanto, a mudança na Fazenda não deve ser lida apenas como substituição ministerial. Ela marca a passagem formal de Haddad da trincheira econômica para a guerra eleitoral.
Portanto, Lula fez duas operações em uma só tacada. Entregou a economia a Dario Durigan, um quadro treinado dentro da própria engrenagem haddadista, e colocou Fernando Haddad em modo campanha, já com discurso, alvo e linha de aliança definidos. São Paulo, agora, deixou de ser plano de fundo e voltou ao centro da disputa pelo poder. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




