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PT pressiona PSB por apoio a Requião Filho no Paraná

Conversa entre Luciano Ducci e Arilson Chiorato, marcada para esta segunda-feira (16), às 11h, mantém aberta a articulação de 2026 no Paraná, mas sem a presença de Requião Filho, como havia sido informado inicialmente.

O deputado federal Luciano Ducci, presidente estadual do PSB no Paraná, terá nesta segunda-feira (16), às 11h, uma conversa politicamente relevante com o deputado estadual Arilson Chiorato, presidente do PT paranaense, num movimento que mantém em aberto a discussão sobre a montagem da frente progressista no estado para 2026.

Após a publicação da matéria, Ducci negou ao Blog do Esmael que o encontro seria com o deputado estadual Requião Filho (PDT), pré-candidato ao Palácio Iguaçu. O blog rechecou a informação e apurou que a reunião será apenas com Arilson, um dos principais articuladores da unidade no campo lulista no Paraná.

A conversa, ainda assim, não nasce do nada. Desde o fim de janeiro, Gleisi Hoffmann (PT), ministra das Relações Institucionais do governo Lula, vem costurando a aproximação entre o PSB e o campo político que gravita em torno de uma frente progressista no Paraná, com cobrança de reciprocidade após o apoio que PT, PCdoB e PV deram a Ducci na eleição municipal de Curitiba em 2024. Essa pressão cresceu nas últimas semanas e já virou tema aberto de tensão dentro do PSB paranaense.

Na quarta (11), em Brasília, o assunto subiu de patamar. O presidente nacional do PSB, João Campos, prefeito do Recife, foi procurado por Requião Filho, por Arilson e por Gleisi para tratar da engenharia de 2026 no Paraná. Em entrevista recente, João Campos admitiu ter tratado do estado com Gleisi e reconheceu que há, no Paraná, uma construção nacional envolvendo PDT, PT e PSB.

O ponto central é este: hoje o PSB ainda não está formalmente no palanque do PDT no Paraná, mas a direção nacional já admite essa possibilidade. E mais: João Campos vinculou a negociação estadual à consolidação da candidatura de Gleisi ao Senado, com apoio do PSB, sinal de que a chapa está sendo pensada como arranjo de bloco, não como acordo isolado entre siglas. O próprio PSB nacional já vinha sinalizando, desde fevereiro, desconforto com a resistência da ala comandada por Ducci no estado.

Requião Filho segue trabalhando com a ideia de uma frente progressista ampla, reunindo PDT, PT, PCdoB, PV, Rede, PSOL, PSB e Avante. O desenho interessa ao lulismo porque pode oferecer a Lula um palanque unificado no Paraná e, ao mesmo tempo, criar uma candidatura competitiva ao governo estadual diante do desgaste da base de Ratinho Junior (PSD) e do rearranjo da direita em torno do bolsonarismo e seus satélites.

Do lado de Ducci, a situação continua delicada. Em nota divulgada no início de fevereiro, o PSB do Paraná negou que houvesse discussão sobre apoio a candidaturas majoritárias no estado e afirmou que o foco da legenda era a chapa proporcional. Nos bastidores, porém, essa posição passou a ser lida em Brasília como resistência local à estratégia nacional do partido, cuja prioridade declarada é a reeleição de Lula.

Arilson entra nessa conversa com peso político real. Além de presidir o PT no Paraná, ele lidera a oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e vem atuando como ponte entre o lulismo nacional e a montagem do palanque estadual. Sua reunião com Ducci não é um gesto protocolar. É um recado de que o PT quer sair da fase da conversa lateral e empurrar a aliança para uma definição mais concreta.

No fundo, o encontro desta segunda-feira tem menos cara de visita de cortesia e mais de teste político. Se Ducci topar avançar no diálogo com o PT, o campo progressista dará mais um passo para consolidar um bloco eleitoral com musculatura no Paraná. Se resistir, o PSB local poderá aprofundar o atrito com a direção nacional justamente no momento em que João Campos tenta harmonizar os palanques estaduais com o projeto nacional de 2026.

A disputa de posições para 2026 já começou no Paraná, mesmo antes da abertura formal do calendário eleitoral. E a reunião entre Ducci e Arilson vale mais do que a agenda: ela pode mostrar se o PSB do estado seguirá orbitando sozinho ou se vai, enfim, entrar no arranjo que Gleisi, PT e PDT tentam empurrar desde Brasília. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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