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A corrida pela Prefeitura de Curitiba evidencia o racha entre ex-membros da Operação Lava Jato, que agora se enfrentam em lados opostos da disputa eleitoral. O embate, que ocorre entre aliados de outrora, coloca em xeque a unidade que outrora foi usada para caçar petistas, progressistas e prender o ex-presidente Lula.
O atual vice-prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, é o nome que o PSD escolheu para liderar a chapa que busca a continuidade da atual administração municipal. Pimentel, que também foi secretário de Estado das Cidades durante os últimos anos, apresenta-se como o candidato mais preparado para conduzir a cidade nos próximos anos.
Deltan Dallagnol, ex-procurador da República, agora autoproclamado embaixador do partido Novo, é um dos principais apoiadores de Pimentel.
Dallagnol, que teve seu mandato como deputado federal cassado, fez questão de reafirmar sua confiança em Pimentel durante um evento no domingo (18/8), em Santa Felicidade. “Fico honrado de estar ao seu lado, Eduardo Pimentel, porque é o mais preparado para cuidar de Curitiba”, declarou o ex-procurador, em um claro gesto de aliança política.
A candidatura de Eduardo Pimentel não se limita ao apoio do Novo. A coligação “Curitiba Amor e Inovação”, que sustenta sua candidatura, é composta por uma ampla gama de partidos, incluindo PSD, Podemos, Republicanos, PL, MDB, Avante e PRTB. Essa aliança busca consolidar a continuidade da atual administração, com foco em projetos de infraestrutura e modernização da cidade.
Pimentel destaca-se por sua experiência acumulada ao longo de oito anos como vice-prefeito, onde trabalhou em áreas estratégicas como obras públicas e finanças municipais. Em meio ao seu discurso no evento do candidato a vereador Guilherme Kilter (Novo), Pimentel enfatizou sua preparação para o cargo: “Eu me preparei para este momento. Há oito anos como vice-prefeito, também fui secretário de Obras e entregamos as obras paradas da gestão anterior.”
Ney Leprevost e Rosângela Moro: o outro lado da moeda

Em oposição direta a Pimentel, o deputado Ney Leprevost (União Brasil) lidera uma chapa “puro-sangue”, com a presença de Rosângela Moro como candidata a vice-prefeita. Rosângela, advogada e esposa do ex-juiz e atual senador Sergio Moro (União Brasil), representa veste o figurino da alta mais radical do lavajatismo na capital paranaense.
Na passagem do presidente Lula ao Paraná, semana passada, tanto ela [Rosângela] quanto seu marido [Sergio Moro] não pouparam o petista.
“Atenção Curitiba! Lula está na região. Mesmo que o tenhamos hospedado ele se mostra ingrato! Vamos mostrar nas eleições que aqui Lula e lularápios não se criam”, publica a candidata a vice-prefeita, após o presidente chamar Moro de “juiz insignificante” e chorar durante um discurso na cerimônia de abertura da Fafen.
O ex-juiz, por sua vez, também rebateu o mandatário dizendo que Lula “jamais provou a sua inocência”‘ e que “foi apenas beneficiado por uma mais do que questionável anulação formal de suas condenações” – referindo-se ao Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou suas sentenças por violações constitucionais.
Essa chapa com a presença do casal Moro pode complicar a vida de Ney Leprevost em um virtual segundo turno, pois a retórica lavajatista afasta os setores progressista. No entanto, este um assunto será aprofundado em breve pelo Blog do Esmael.
Dito isto, a presença de dois ex-membros da Lava Jato em chapas opostas para a Prefeitura de Curitiba reflete a ruptura interna do grupo, que é acusado pelo desmonte da indústria pesada nacional e gerar desempregos no país.
Enquanto Dallagnol opta por apoiar um candidato que simboliza a continuidade administrativa, Rosângela Moro alinha-se a um projeto de renovação, buscando atrair o eleitorado insatisfeito com a atual gestão.
Essa divisão torna a eleição em Curitiba um campo de batalha para antigos aliados, com o ex-procurador e a mulher do ex-juiz assumindo posições conflitantes.
As estratégias de campanha

Enquanto Eduardo Pimentel aposta na experiência administrativa e no apoio de uma coligação ampla, Ney Leprevost e Rosângela Moro concentram-se em uma narrativa de renovação e combate à corrupção. As estratégias de comunicação de ambas as campanhas refletem essas diferenças fundamentais.
Pimentel tem enfatizado sua capacidade de gestão, destacando as conquistas alcançadas durante seu mandato como vice-prefeito, especialmente na área de infraestrutura e equilíbrio financeiro da cidade. Ele busca atrair eleitores que desejam estabilidade e continuidade dos projetos em andamento.
Por outro lado, Leprevost e Rosângela focam em uma campanha de renovação ética na política, prometendo trazer novos ares à administração municipal. O uso da imagem de Sergio Moro como símbolo de integridade é um dos pilares dessa estratégia, com promessas de políticas públicas mais transparentes e voltadas ao combate à corrupção.
O papel das redes sociais na campanha

As redes sociais têm desempenhado um papel destacado na disseminação das mensagens de ambas as campanhas. Pimentel utiliza suas plataformas para destacar suas realizações e apresentar planos para o futuro de Curitiba. Já a chapa de Leprevost e Rosângela aposta em vídeos e postagens que reforçam a necessidade de mudança e a importância de combater a corrupção em todos os níveis de governo.
Os debates acalorados nas redes refletem a polarização entre os eleitores, com apoiadores de ambos os lados defendendo com fervor suas escolhas. A batalha pela narrativa digital é intensa, com cada lado buscando dominar o espaço online e influenciar a opinião pública.
A disputa pela Prefeitura de Curitiba, marcada pela divisão entre antigos aliados da Lava Jato, promete ser uma das mais acirradas dos últimos tempos.
Independentemente do resultado, essa eleição servirá como um termômetro para o futuro político dos envolvidos, especialmente no que se refere à influência do lavajatismo na política brasileira. Com ex-membros da operação em lados opostos, o eleitorado curitibano será o juiz final dessa disputa que já entrou para a história.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




