A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (13) mostra que 50% dos brasileiros defendem a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Outros 43% são contra a medida, revelando a divisão do país diante da execução da pena.
O levantamento ouviu 2.005 eleitores entre segunda (8) e terça-feira (9), em 113 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os índices repetem a tendência de estabilidade observada desde abril, quando o Datafolha começou a medir o tema. Naquela ocasião, 52% eram favoráveis à prisão e 42% contrários; em julho, houve empate técnico de 48% a 46%.
O apoio à prisão é mais alto no Nordeste, onde chega a 62%. Também têm índices acima da média os jovens de 16 a 24 anos e os católicos, ambos com 56%. Já os segmentos mais resistentes à medida se concentram no Sul, entre evangélicos e eleitores de renda mais alta.
O que mudou no período foi a percepção sobre a viabilidade da pena. Em abril, 52% acreditavam que Bolsonaro escaparia da prisão; agora, 50% dizem crer que ele cumprirá a sentença.
Apesar de divulgar os números sobre Bolsonaro, o Datafolha não revelou outro dado relevante: o crescimento de Lula nos levantamentos internos. Nos bastidores da Faria Lima, circula a informação de que o presidente abriu vantagem sobre seus principais adversários, em especial Tarcísio de Freitas (Republicanos), e ampliou a distância sobre o próprio Bolsonaro após a condenação.
A omissão levanta suspeitas sobre a seletividade do instituto, controlado pelos mesmos grupos financeiros e midiáticos que dominam a narrativa pública. A divulgação parcial favorece a instabilidade política, enquanto esconde a melhora do governo Lula nas pesquisas de opinião.
O apoio popular à prisão de Bolsonaro mostra que a sociedade rejeita aventuras golpistas e pressiona pela aplicação da lei. Já o silêncio sobre o avanço de Lula sugere que os donos do Datafolha preferem calibrar a divulgação conforme seus interesses. No entanto, nos corredores do poder, a leitura é clara: Lula cresce, e a oposição se fragiliza sem seu líder.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



