O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta ao centro do termômetro eleitoral nesta quinta-feira (5), com a divulgação de uma nova pesquisa nacional do instituto Datafolha sobre a disputa presidencial de 2026. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03715/2026, mede intenção de voto, cenários de segundo turno, avaliação do governo e percepção do eleitorado sobre economia e instituições.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em todo o país entre terça-feira (3) e hoje (5). A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O estudo foi contratado pela Empresa Folha da Manhã S.A., responsável pelo jornal Folha de S.Paulo, com custo declarado de R$ 307.641,60.
A coleta foi realizada com entrevistas presenciais em municípios das cinco regiões do país, com amostragem estratificada por região, tipo de município, sexo, idade, escolaridade e renda.
O desenho metodológico utiliza dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), incluindo o Censo 2022, a PNADC 2024 e estimativas populacionais de 2025.
A divulgação do Datafolha também ocorre sob o impacto político do escândalo envolvendo o Banco Master e seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (4) durante a Operação Compliance Zero.
A investigação sobre suspeitas de fraude financeira bilionária, lavagem de dinheiro e relações com figuras da política nacional dominou o noticiário nos mesmos dias em que o instituto coletava as entrevistas, um fator que pode influenciar o humor do eleitorado captado na pesquisa. [Abaixo, assista ao vídeo.]
O questionário vai além da disputa eleitoral.
O Datafolha mede intenção de voto espontânea e estimulada, além de cenários de segundo turno entre Lula e nomes da direita, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO), Ratinho Junior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSDB-RS).
Também aparecem cenários alternativos com Fernando Haddad (PT-SP) enfrentando adversários da direita.
Além do voto, o levantamento investiga rejeição aos candidatos, um indicador considerado decisivo nas disputas presidenciais.
Outro bloco central da pesquisa mede avaliação do governo Lula, aprovação presidencial e percepção da população sobre temas econômicos, como inflação, desemprego e poder de compra dos salários.
O questionário ainda investiga confiança em instituições do país, incluindo Presidência da República, Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso Nacional, partidos políticos, imprensa, grandes empresas e Forças Armadas.
Há também perguntas sobre escala de trabalho 6×1, tema que ganhou força no debate público com propostas de redução da jornada semanal no Congresso.
Outro recorte curioso aparece no campo cultural.
O Datafolha pergunta aos entrevistados sobre a homenagem ao presidente Lula no desfile de Carnaval do Rio de Janeiro e se o eleitor considera adequada a celebração em um ano eleitoral.
A inclusão do tema revela como disputas ideológicas e culturais passaram a integrar a agenda política brasileira, sobretudo nas redes sociais.
O levantamento ainda examina sentimentos do eleitorado sobre o país, medindo emoções como esperança, medo, confiança ou desânimo diante do futuro do Brasil.
Esses indicadores costumam funcionar como sinal antecipado do humor social que alimenta campanhas eleitorais.
Na prática, o Datafolha oferece uma fotografia ampla do país.
Não mede apenas quem está na frente, mas também rejeição, teto eleitoral, humor econômico e confiança institucional, fatores que frequentemente definem o rumo real das eleições antes mesmo do início oficial da campanha.
Se a disputa presidencial de 2026 ainda está distante no calendário, o radar político já está ligado.
As pesquisas funcionam como bússola para partidos, lideranças e alianças que começam a se reorganizar no cenário nacional.
A corrida pelo Palácio do Planalto começa muito antes das urnas.
E o eleitorado costuma revelar seus sinais primeiro nas pesquisas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




