A direita brasileira saiu menor do que entrou no novo Datafolha.
Não porque tenha perdido voto para Lula de forma linear, mas porque viu ruir a tese confortável de que seria possível derrotar o petista com uma candidatura conservadora mais bem penteada, menos ruidosa e menos dependente do sobrenome Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro apareceu com 32% no primeiro turno mais provável e 43% no segundo turno contra Lula. Isso não é desempenho de figurante. É desempenho de polo.
A partir daí, muda tudo no arranjo oposicionista.
Tarcísio perde a aura de solução inevitável. Ratinho Junior preserva algum capital, mas segue longe. Caiado, Zema e demais aspirantes ficam comprimidos entre a fidelidade ao bolsonarismo e a incapacidade de ultrapassá-lo. O eleitorado conservador, pelo menos neste retrato, sinaliza que prefere a linhagem original ao produto reembalado.
A velha mídia já havia mostrado, em dezembro, que havia desconforto no mercado com a candidatura de Flávio e preferência por nomes com mais experiência executiva, como Tarcísio. O problema para esse campo é que o Datafolha devolve uma realidade incômoda: a base bolsonarista pode estar andando mais rápido que as cúpulas partidárias e os oligarcas do sistema financeiro.
A direita moderada, se ainda quiser existir em 2026, terá de fazer mais do que reclamar do sobrenome.
Terá de provar que consegue disputar voto, rua, militância e identidade com o clã Bolsonaro. Até aqui, não provou. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




