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Palácio do Planalto participará da CPMI com disposição total para identificar e punir os culpados, avisou líder governista Randolfe Rodrigues
O Congresso Nacional oficializou nesta terça-feira (17) a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar fraudes em descontos indevidos nos benefícios do INSS. A leitura do requerimento pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), escancarou a força da articulação suprapartidária que reuniu direita, centro e governo em torno de uma causa sensível: o rombo no bolso dos aposentados.
A CPMI terá 30 membros titulares, sendo 15 deputados e 15 senadores, com igual número de suplentes. O prazo inicial de funcionamento é de 180 dias, podendo ser prorrogado. A instalação depende agora da indicação formal dos nomes pelos líderes partidários.
O pedido foi protocolado por Damares Alves (Republicanos-DF) e Coronel Fernanda (PL-MT), com base em investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União que apontaram um esquema de cobranças ilegais praticadas por entidades associativas. Os alvos preferenciais: idosos e pensionistas, explorados por mecanismos opacos e contratos não autorizados.
Oposição quer protagonismo, governo topa o embate
A ofensiva tem sabor de vitória para a oposição. Evair Vieira de Melo (PP-ES) resgatou sua denúncia original de março de 2023 e acusou o Ministério da Previdência de inércia. “Foram 28 notificações ignoradas. O governo ficou sentado em cima até o escândalo estourar”, disparou.
José Nelto (União Brasil-GO) elevou o tom e exigiu indiciamentos pelo Congresso. Adriana Ventura (Novo-SP) foi ao ponto: “Esse escândalo envergonha o País”.
Na outra ponta do tabuleiro, o governo Lula resolveu não recuar. O líder no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), prometeu “jogar com o time principal”. Ele avisou que o governo participará da CPMI com disposição total para identificar e punir os culpados, inclusive dentro da máquina pública, se for o caso. “Custe o que custar”, cravou.
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Entre o escândalo e a disputa de narrativas

A criação da CPMI reacende tensões institucionais e serve de palco para disputas narrativas entre oposição e governo. Enquanto uns buscam expor a fragilidade da gestão previdenciária, outros enxergam oportunidade de demonstrar firmeza no combate a irregularidades herdadas de administrações passadas — inclusive sob Jair Bolsonaro.
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) alertou para o risco de “farol político” e defendeu foco no ressarcimento aos lesados e na responsabilização das entidades fraudulentas.
No centro da CPMI estarão os dados já colhidos pela PF e pela CGU, que identificaram um esquema em rede operado por associações fantasmas. O desafio será separar crime de omissão, sem blindagens políticas.
O que esperar da CPMI do INSS
A comissão mista nasce sob holofotes, mas o peso real recai sobre milhões de aposentados e pensionistas que seguem vítimas da máquina de fraudes — muitas vezes com a conivência do Estado.
A pauta mobiliza desde bancadas conservadoras até setores progressistas, mas o risco é claro: transformar uma demanda legítima da sociedade em espetáculo político, com foco em narrativas eleitorais para 2026.
A oposição tenta colar o escândalo no governo Lula; o Planalto, por sua vez, aposta em ações duras e visíveis para conter a sangria institucional do INSS — inclusive com prisões e reformas administrativas.
No entanto, a pergunta que não quer calar é: essa CPMI será instrumento de justiça ou apenas mais uma engrenagem de autopreservação do sistema?
O histórico das CPIs exige vigilância. Se quiser ser diferente, esta comissão terá de romper com a lógica do acobertamento cruzado e ouvir as verdadeiras vítimas: os idosos explorados por entidades fantasmas, lobistas e operadores infiltrados na estrutura pública.
Essa é a encruzilhada política do momento. Ou o Congresso dá uma resposta à altura da crise previdenciária — ou perde mais uma chance de restaurar a confiança no Estado brasileiro.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




