Início / bancos

Lula enfrenta maior reprovação desde o início do mandato

Índice de Tópicos

Quaest: avaliação negativa do presidente da República chega a 43% no pior patamar do mandato

A avaliação negativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu o nível mais alto desde o início do terceiro mandato, segundo a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (4). O levantamento indica que 43% da população desaprova o governo, enquanto apenas 26% o consideram positivo. Outros 28% classificam a gestão como regular, e 3% não souberam responder.

Os números são especialmente simbólicos por se tratar da primeira pesquisa após o escândalo do INSS, que revelou um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias, com repercussões políticas e judiciais em Brasília.

A rejeição aumentou dois pontos percentuais desde março e acendeu o alerta no Palácio do Planalto: a popularidade presidencial vem em queda livre desde dezembro de 2024, quando a reprovação estava em 31%.

INSS, sistema financeiro e narrativa adversa

A pesquisa indica que o impacto do escândalo do INSS foi profundo. Mais de 80% dos entrevistados disseram ter conhecimento do caso, e 31% responsabilizam diretamente o governo Lula, o que revela o sucesso da narrativa oposicionista.

A despeito da boa relação com Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), o governo enfrenta crescente dificuldade para pautar o Congresso em virtude do lobby de banqueiros e especuladores, com a reforma ministerial travada e o Centrão elevando a pressão por emendas e protagonismo na engrenagem política de 2026.

A crise abriu fissuras na base aliada e revelou um Planalto cada vez mais dependente de acordos pontuais, inclusive com siglas que, na prática, atuam como independentes, mas sob influência de bancos e fundos de investimenos, que disputam o Orçamento da União.

A pesquisa ainda revela que 57% dos brasileiros desaprovam o governo Lula, contra 40% que o aprovam — um placar pior do que o registrado em março. A rejeição é especialmente alta no Sudeste (64%) e entre evangélicos (66%), dois segmentos-chave para qualquer pretensão eleitoral.

Lula x Bolsonaro: comparação desfavorável

A Quaest também perguntou se os entrevistados consideram o governo Lula melhor ou pior que o de Jair Bolsonaro. Para 44%, a atual gestão é inferior, contra 40% que enxergam avanços em relação ao governo anterior. Esse dado alimenta a disputa simbólica e eleitoral entre petismo e bolsonarismo, que já se projeta como central para 2026.

Outro número preocupante para o Planalto: 61% acham que o Brasil está indo na direção errada, o pior índice da série histórica recente. A percepção negativa cresceu cinco pontos em dois meses e reflete o acúmulo de frustrações sociais e econômicas.

Estratégia de contenção: coletiva, pacote social e ataque ao bolsonarismo

Diante do desgaste, o presidente e sua equipe tentam reagir. Lula convocou uma entrevista coletiva na terça-feira (3), na qual reafirmou o compromisso com programas sociais, anunciou a conta de luz zerada para famílias de baixa renda e culpou Bolsonaro pelo caos herdado no INSS.

A estratégia é clara: reconectar-se com a base popular, reposicionar a narrativa e evitar que a crise contamine o ciclo de investimentos e a agenda internacional — especialmente às vésperas da viagem à França e das articulações para a COP30.

O desafio de 2026 começa agora

O cenário revelado pela Quaest pressiona o PT a recalibrar sua estratégia. O controle da pauta no Congresso escapa pelas mãos, o Centrão exige mais do que cargos, e a oposição bolsonarista testa balões de ensaio eleitorais com nomes alternativos, como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Júnior (PSD).

Enquanto isso, o próprio Lula vê o pacote de reeleição esbarrar na desconfiança popular e na fragilidade política, ainda mais com a sombra do escândalo do INSS e a expectativa de novas operações da PF.

O espelho rachado do lulismo, segundo a Quaest

A fotografia capturada pela Quaest é mais do que um número. É o retrato de um governo que perdeu o controle da narrativa e precisa urgentemente reencontrar sua voz. A crise do INSS não é só um escândalo técnico; é um símbolo do descompasso entre as promessas de 2022 e a realidade de 2025.

Lula ainda tem capital político, mas seu governo começa a depender de medidas mais ousadas, pactos reais com a sociedade e menos reféns do sistema financeiro, do qual a velha mídia tem interesses e propriedades cruzados. O tempo político acelera — e o espelho do lulismo dá sinais de rachadura.

A pesqusia da Quaest foi realizada entre os dias 29 de maio e 1º de junho de 2025. A margem de erro é dois pontos para mais ou para menos. [Aqui você lê a íntegra do levantamento.]

Acompanhe no Blog do Esmael as próximas análises, bastidores do poder e disputas em torno de 2026. Comente, compartilhe e fortaleça o jornalismo político crítico.

Leia também no Blog do Esmael: Lula é bem avaliado e segue "vivinho da silva" no jogo de 2026; Avaliação negativa do governo Bolsonaro vai a 50% e atinge novo recorde, diz XP/Ipespe