No decorrer do depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos ocorridos em 8 de janeiro, nesta terça-feira (27/6), o coronel Jean Lawand Júnior negou veementemente que as mensagens trocadas com o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, tivessem como objetivo incitar um golpe de estado. Abaixo, assista o vídeo.
Em frente a deputados e senadores, Lawand Júnior considerou infelizes os trechos das mensagens que indicavam uma divisão do Exército em relação ao apoio a Bolsonaro, contrastando o alto comando com o restante da corporação. Ele afirmou que, em nenhum momento, mencionou golpe ou atentou contra a democracia brasileira, assegurando não ter tido a intenção de agredir qualquer instituição.
Ao responder aos questionamentos da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da CPMI, o coronel declarou que, com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições, o país passou a ter ideias divergentes. Segundo ele, o ex-presidente Bolsonaro poderia ter feito uma fala de apaziguamento.
O coronel Lawand também negou qualquer ligação entre o ex-presidente e os atentados ocorridos em Brasília em 12 e 24 de dezembro. Ele ressaltou que uma palavra de Bolsonaro teria feito com que as pessoas que estavam nas ruas retornassem para casa e continuassem suas vidas, excluindo qualquer atribuição de responsabilidade ao ex-presidente.
Durante o depoimento, o coronel destacou que, caso houvesse uma convulsão social causada por uma parcela da população insatisfeita com o resultado das eleições, a culpa poderia ser atribuída a Jair Bolsonaro.
Sobre a mensagem que mencionava “teria que ser o povo” a tomar uma atitude, Lawand negou estar se referindo a um golpe e explicou o sentido do texto. Segundo ele, tratava-se da conscientização do povo de que não seria atendido em suas reivindicações e precisaria voltar para casa, uma vez que não haveria uma ordem presidencial favorável.
Vale destacar que Jean Lawand Júnior prestou depoimento munido de um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), garantindo-lhe o direito de não responder perguntas que possam incriminá-lo. No entanto, o militar respondeu a quase todos os questionamentos dos parlamentares presentes.
O coronel continua sendo inquirido pelos membros da CPMI no plenário 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.
Assista o vídeo da CPMI do Golpe (27/6)
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




