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A paz segue refém de imposições militares. A Rússia entregou à Ucrânia, nesta segunda-feira (2), um memorando com condições rigorosas para um cessar-fogo. O principal entrave é a exigência de que Kiev reconheça como território russo 20% de sua própria soberania.
Os termos russos para o cessar-fogo
O documento apresentado pela delegação russa durante a segunda rodada de negociações diretas, em Istambul, inclui:
- Reconhecimento das regiões de Crimeia, Lugansk, Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson como parte da Rússia;
- Retirada total das tropas ucranianas desses territórios;
- Fim do envio de armas e inteligência do Ocidente à Ucrânia;
- Limitação do exército ucraniano;
- Proibição de armas nucleares em solo ucraniano;
- Realização de eleições gerais sob vigilância internacional.
Em troca, Moscou promete suspender sanções e restabelecer relações econômicas com Kiev.
Bastidores da rodada em Istambul

O encontro ocorre um dia após ofensivas inéditas: a Ucrânia atacou com drones quatro bases aéreas russas, destruindo 40 aviões de guerra, enquanto Moscou lançou o maior bombardeio com drones da guerra.
Liderada por Rustem Umerov, a delegação ucraniana ainda não respondeu ao memorando. Já os russos, sob o comando de Vladimir Medinsky, alegam ter recebido uma proposta paralela de paz elaborada por Kyiv.
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Condições vistas como inaceitáveis
Vladimir Zelensky reafirmou que não aceitará abrir mão de territórios ocupados nem abandonar a entrada na OTAN. A Ucrânia exige um cessar-fogo completo e incondicional, a devolução de prisioneiros de guerra e das crianças deportadas para a Rússia.
Enquanto isso, o Kremlin segue pressionando pela renúncia definitiva à adesão da Ucrânia à Aliança Atlântica.
Impasse com impactos simbólicos
A operação “Spiderweb”, planejada pela Ucrânia há 18 meses, surpreendeu a estrutura militar russa e alterou o clima das negociações. Os danos aos bombardeiros TU-95 e TU-22 na Sibéria não são apenas materiais, mas simbólicos.
O contra-ataque russo também deixou mortos em Zaporizhzhia, Donetsk e Kherson, reforçando o ciclo de retaliações enquanto diplomatas tentam conter a escalada.
O que esperar das próximas rodadas
A terceira rodada está prevista para o fim de junho. Zelensky insiste em um encontro direto com Putin, enquanto o Kremlin condiciona esse gesto a avanços concretos nas negociações técnicas.
Nos bastidores, os EUA pressionam por avanços. Trump teria exigido pessoalmente de Putin a apresentação do memorando. A Polônia, com novo presidente eleito, Nawrocki, segue firme ao lado de Kyiv, mas rechaça o ingresso da Ucrânia na UE e OTAN durante o conflito.
Rússia quer rendição da Ucrânia
O tabuleiro da guerra na Ucrânia revela um impasse cada vez mais intrincado. O memorando entregue por Moscou, embora apresentado como proposta de paz, impõe condições que colocam Kiev diante de escolhas extremamente difíceis — entre elas, a cessão de 20% do território nacional.
Sem realismo nas propostas e reciprocidade mínima entre as partes, a paz segue distante. E a diplomacia, enredada em exigências assimétricas, parece incapaz de romper o ciclo de hostilidades.
Acompanhe no Blog do Esmael as análises que ajudam a decifrar os bastidores e os significados dessa disputa que desafia os limites do direito internacional e da geopolítica contemporânea.
![Emmanuel Macron, presidente da França, observa os presidentes russo, Vladimir Putin, e o ucraniano Vladimir Zelensky [Foto: TASS]](https://www.esmaelmorais.com.br/wp-content/uploads/2022/03/zelensky-macron-putin-1200x675.jpg)

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



