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Câmara pode acabar com ganho real do salário mínimo

Aumento real do salário mínimo seria limitado a 2,5%, independente da variação do INPC e do PIB

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou que a votação do projeto que limita o ganho real do salário mínimo e da PEC que altera o acesso ao abono salarial ocorrerá nesta terça-feira (17). As duas propostas fazem parte do pacote de ajuste fiscal do governo, que busca conter os déficits nas contas públicas.

O debate é urgente para o governo, mas polêmico. Enquanto o Palácio do Planalto fala em responsabilidade fiscal, a oposição acusa a medida de sacrificar os trabalhadores mais pobres. A população, por sua vez, segue com o orçamento apertado e o dilema: como viver com R$ 1.509 ou R$ 1.521, valores propostos pelo governo para 2025?

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o salário mínimo necessário para cobrir despesas básicas de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 6.802,88 em julho de 2024. Essa disparidade expõe o descompasso entre o reajuste oficial e a dura realidade enfrentada pelas famílias brasileiras, que precisam equilibrar contas com moradia, alimentação, transporte e saúde.

O reajuste proposto pelo governo é baseado na inflação acumulada pelo índice INPC, somada à variação do PIB de dois anos atrás. No entanto, com a nova regra fiscal, o aumento real do salário mínimo seria limitado a 2,5%, mesmo que o crescimento econômico supere as projeções.

Lira também pautou outros projetos nesta terça-feira, como a reforma tributária e a tributação sobre os lucros de multinacionais. Segundo ele, as votações serão técnicas e dependerão do consenso entre os parlamentares. “Não estou garantindo nem comentários nem aprovação. Estamos discutindo, dialogando”, afirmou o presidente da Câmara.

A PEC que restringe o abono salarial é outro ponto que gera preocupação. O texto prevê uma redução gradual no acesso ao benefício, atualmente concedido a trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. Críticos apontam que a medida penaliza aqueles que já enfrentam as maiores dificuldades econômicas.

Um salário mínimo mais robusto estimula o consumo local, especialmente em pequenos municípios onde a economia é impulsionada por rendas baixas. Por outro lado, o governo alerta que reajustes elevados geram um efeito cascata nas contas públicas, pressionando os gastos com benefícios previdenciários e programas sociais.

A verdade é que o reajuste do salário mínimo carrega mais do que apenas valores numéricos. Ele reflete prioridades políticas, tensões sociais e o dilema entre justiça econômica e disciplina fiscal.

Com a inflação corroendo o poder de compra e a pressão das contas do mês, a população segue aguardando soluções concretas. A postura do governo de limitar os reajustes do salário mínimo contrasta com a promessa de valorização feita em campanha. Enquanto isso, o DIEESE insiste: “O valor atual é insuficiente para garantir dignidade”.

A votação desta terça definirá os rumos do salário mínimo em 2025. Será que os interesses dos trabalhadores prevalecerão sobre as amarras fiscais? A resposta, como sempre, estará no plenário da Câmara.

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