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Câmara decide hoje sobre cortes sociais do Plano Haddad

O Congresso Nacional concentra suas atenções nesta quarta-feira (18) na Câmara dos Deputados, onde será concluída a votação das emendas ao Plano Haddad, um conjunto de medidas do ajuste fiscal proposto pelo governo federal. Com previsão de corte em programas sociais e restrições no orçamento, o debate promete intensificar a divisão entre governo e oposição, repercutindo diretamente na vida de milhões de brasileiros.

O texto principal, já aprovado na terça-feira, prevê o estabelecimento de limites de gastos em situações de déficit fiscal. Apresentado pelo deputado José Guimarães (PT-CE) e relatado por Átila Lira (PP-PI), o projeto impacta diretamente o reajuste do salário mínimo, benefícios trabalhistas, como o abono salarial do PIS/Pasep, e programas sociais.

Entre os principais pontos de discussão estão:

  • Salário mínimo: O projeto define que os reajustes terão ganho real entre 0,6% e 2,5%, o que, segundo críticos, interrompe a trajetória de valorização dos últimos anos.
  • Abono salarial: As novas regras restringem gradualmente o acesso ao benefício, afetando trabalhadores de baixa renda que dependem do programa.
  • Reforma tributária: A incorporação da PEC 45/24 à PEC 31/07 adiciona ao ajuste fiscal medidas para limitar despesas públicas, incluindo programas essenciais.

Essas medidas, defendidas pelo governo como indispensáveis para reequilibrar as contas públicas, são vistas como retrocessos por entidades de classe, especialistas e setores da oposição. Segundo eles, o peso do ajuste recai sobre a parcela mais vulnerável da população, ampliando desigualdades e agravando a pobreza.

A urgência para aprovar o pacote antes do recesso parlamentar impõe um ritmo acelerado ao debate. Enquanto a base governista busca apoio para garantir a aprovação, a oposição tenta barrar os cortes mais severos. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), convocou sessão extraordinária às 14h, sinalizando a importância do tema.

A conclusão dessa votação é um teste político para o governo Lula e para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O ajuste fiscal é apontado como crucial para consolidar a credibilidade econômica do Brasil, mas os custos sociais dessas medidas têm potencial para desgastar a imagem do governo junto ao eleitorado.

O Senado será o próximo palco da batalha, com a responsabilidade de dar a palavra final sobre o Plano Haddad. A expectativa é que as discussões no Congresso continuem a repercutir, especialmente diante das eleições de 2026.

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