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Bolsonaro pode deixar domiciliar e apoiar Tarcísio em 2026

Bolsonaro livre? Tarcísio candidato? A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) articula para derrubar a prisão domiciliar decretada em agosto, no inquérito que investiga coação à Justiça. O pedido de revogação ganhou fôlego porque a PGR não incluiu Bolsonaro na denúncia apresentada contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo. A avaliação de juristas é que, sem denúncia, a medida cautelar perde o objeto.

Nos bastidores, porém, a questão ultrapassa o campo jurídico. Bolsonaro condiciona seu apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a uma saída política para o “xilindró”. Antes de ser silenciado, deixou claro: não declararia apoio sem resolver a situação. Tarcísio, que sonha com o Planalto em 2026, prometera indulto caso eleito. Mas o ex-presidente quer o pagamento adiantado em forma de anistia, hipótese que perdeu tração no Congresso.

Para resolver o impasse, interlocutores trabalham com a hipótese de libertar Bolsonaro nos próximos dias. Ato contínuo, ele apareceria ao lado de Tarcísio, selando o apoio. Na segunda-feira (29), o governador paulista visitará seu padrinho político em Brasília, em gesto interpretado como o início da campanha presidencial.

Enquanto isso, a operação política se espalha. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), viajou aos EUA para levar recados do ex-presidente ao “03”. A missão é clara: conter as bravatas de Eduardo Bolsonaro contra Tarcísio, que atrapalham o desenho eleitoral.

O acordão incluiria ainda o perdão a Eduardo Bolsonaro, preservando seu mandato na Câmara. Não por acaso, o presidente do Conselho de Ética, deputado Fábio Schiochet (União-PR), designou nesta sexta-feira (26) o Delegado Marcelo Freitas (União-MG) como relator do processo contra o filho do ex-presidente. Freitas é alidado da família Bolsonaro.

A novela sobre a liberdade de Bolsonaro, portanto, mistura toga e palanque. O futuro da candidatura de Tarcísio passa pela chave do STF e pela habilidade do bolsonarismo em unificar seu campo antes das eleições.

O tabuleiro de 2026 revela um movimento arriscado: Tarcísio depende da libertação do padrinho, mas pode herdar também seu desgaste. A direita flerta com a própria implosão, e o STF segura a peça central desse jogo.

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Nos EUA, Sóstenes se reúne com Figueiredo e Eduardo Bolsonaro. Foto: reprodução/IG

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