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Bolsonaro amarelou após valentia de ontem na Câmara

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recuou. Depois de posar de mártir nesta segunda-feira, 21, ao desafiar abertamente o Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 22, ele cancelou sua ida à Câmara dos Deputados, onde era aguardado para participar de reuniões das comissões de Relações Exteriores e Segurança Pública, ambas dominadas por bolsonaristas, que aprovariam moções de louvor e solidariedade em sua defesa.

O motivo, a ameaça explícita de prisão feita pelo ministro Alexandre de Moraes por descumprimento de medidas cautelares. Moraes anexou ao processo imagens de Bolsonaro exibindo sua tornozeleira eletrônica e vídeos de entrevistas, contrariando a ordem judicial que proíbe qualquer veiculação de suas falas nas redes sociais, mesmo que feitas por terceiros.

Com o cerco jurídico se fechando, Bolsonaro optou por se recolher à sede do PL em Brasília. A ausência repentina foi acompanhada de um movimento curioso e revelador, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mandou cancelar todas as reuniões de comissões até 1º de agosto. A decisão desmobilizou a ofensiva bolsonarista que havia transformado o recesso parlamentar num palco político.

Cancelamento salvador, em Brasília, até derrota se negocia

O cancelamento das comissões por parte de Hugo Motta, formalmente atribuído a reformas estruturais nos anexos da Câmara, gerou a percepção de que se tratou de um gesto calculado para proteger Bolsonaro de novo confronto com o STF. Na prática, ao desmarcar as sessões que o colocariam novamente sob holofotes e risco de nova infração, Motta ajudou o ex-presidente a evitar um passo em falso que poderia levá-lo à prisão preventiva.

No entanto, publicamente, a oposição não engoliu calada. Filipe Barros (PL-PR) e Paulo Bilynskyj (PL-SP) criticaram a decisão e prometeram manter a mobilização nas ruas a partir de 3 de agosto, com novas ações de rua e pressão sobre o Judiciário. “Vamos acionar organismos internacionais”, disse Barros, que vê perseguição política no cerco judicial.

Mesmo sem sessão formal, parlamentares exibiram placas de moção de apoio a Bolsonaro dentro da Câmara, uma tentativa simbólica de mostrar força num momento em que o ex-presidente se vê isolado e acuado juridicamente.

Estratégia desmontada, recuo forçado

O plano original de Bolsonaro era claro, transformar a tornozeleira eletrônica em símbolo político, dar entrevistas, se apresentar como perseguido e inflamar a militância. A decisão de Moraes de proibir qualquer repercussão digital dessas falas desmontou essa estratégia. Pior, cada aparição pública virou risco concreto de prisão.

Na véspera, Bolsonaro ainda tentou dramatizar a situação, “Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação”, disse ao apontar para a tornozeleira. Mas a retórica messiânica durou pouco. Diante da ameaça de prisão, a valentia evaporou.

A recusa em comparecer à Câmara nesta terça não foi apenas recuo, mas admissão de que o terreno político e jurídico mudou. O ex-presidente perdeu a iniciativa, restando-lhe a retórica de sempre, desta vez, sem palco nem plateia.

Voto de Fux vira esperança jurídica

tornozeleira-capinha-patriota
Meme: tornozeleira eletrônica com capinha patriota quebram a internet.

Apesar da maioria do STF ter validado as medidas cautelares por 4 votos a 1, o voto divergente do ministro Luiz Fux ofereceu à defesa de Bolsonaro uma brecha para recorrer ao plenário da Corte. Fux sustentou que não há provas concretas que justifiquem tornozeleira, toque de recolher ou censura prévia, e que tais medidas violam cláusulas pétreas da Constituição.

O recurso pode ser apresentado nos próximos dias. A estratégia será tentar mostrar que há “fundada divergência” interna no STF, o que justificaria a reavaliação das restrições em instância superior.

Moraes mantém pressão, ameaça nova prisão

O ministro Alexandre de Moraes reforçou o tom nesta segunda-feira. No despacho, advertiu que qualquer nova infração poderá justificar “prisão imediata do réu”. Com o recesso do STF até o fim do mês, o caso poderá explodir em agosto, quando novas aparições públicas e atos bolsonaristas estão programados.

Nos bastidores, aliados temem que Bolsonaro seja preso entre o fim de agosto e o início de setembro, durante a Semana da Pátria. A convocação feita por Silas Malafaia para o dia 3 de agosto, portanto, seria uma tentativa de antecipar a narrativa e mobilizar as ruas antes que o STF aja.

A encenação cedeu à realidade

O episódio desta terça revela que a encenação da véspera foi só isso, encenação. A bravura discursiva de Bolsonaro ruiu diante do risco real de cadeia. A decisão de Hugo Motta, embora formalmente técnica, ajudou a esfriar o ambiente e blindar o ex-presidente no curtíssimo prazo. Mas o problema de fundo permanece, as restrições impostas pelo STF inviabilizam qualquer retomada do protagonismo político de Bolsonaro.

O símbolo da humilhação, a tornozeleira, segue no tornozelo. O silêncio nas redes, agora compulsório, desmonta a persona digital que sustentava sua militância. E o Congresso, como sempre, negocia até a fuga.

Também não passou despercebida a faixa exibida por parlamentares bolsonaristas em apoio ao tarifaço de Trump, vide a foto em destaque, durante protesto de apoiadores do ex-presidente na Câmara.

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