Início / governo federal

Bolsa Família muda vidas e rompe ciclos de pobreza

Gabrielly Gomes, de 19 anos, estudante da Universidade de Brasília (UnB), é ex-beneficiária do Bolsa Família e faz parte da primeira geração de filhos do programa que conseguiu avançar na escola e no trabalho.

Moradora de Santa Maria, no Distrito Federal, ela é a caçula de seis filhos. A família recebeu o benefício a partir de 2003, quando o pai, marceneiro e autônomo, precisava de complemento de renda para sustentar a casa.

O cartão em nome de Vilmar Manoel Gomes ainda está guardado pela família. É uma lembrança concreta de um período em que o dinheiro do programa ajudava a garantir comida, roupa e material escolar.

Vilmar contou que o benefício foi decisivo porque a renda de autônomo variava de um mês para o outro. Quando a situação melhorou, a família deixou o programa em meados de 2012.

Gabrielly hoje cursa Gestão de Políticas Públicas na UnB. A trajetória dela conversa com um dado central: estudo divulgado em 2023 pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), pela Oppen Social, pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Università Bocconi mostrou que parte expressiva da primeira geração de beneficiários deixou o Cadastro Único e entrou no mercado formal.

Segundo a pesquisa, em 2005 havia 11,6 milhões de beneficiários entre 7 e 16 anos. Em 2019, apenas 2,37 milhões daquela faixa etária, já com 21 a 30 anos, seguiam no programa, enquanto cerca de 7,45 milhões, ou 64,1%, tinham saído do Cadastro Único.

O caso da família de Gabrielly também mostra como o Bolsa Família operava dentro de casa. As mulheres representam 84% das responsáveis familiares do programa, o que equivale a mais de 16 milhões de pessoas, e era a mãe, Clevia Natanael Gomes, quem sacava o benefício todos os meses.

Ela lembra que o dinheiro era usado primeiro na comida. Se sobrava algo, ia para roupas, calçados e itens da escola. Em famílias pobres, esse tipo de decisão define o mês seguinte.

O programa também exigia acompanhamento em saúde e educação. No caso das crianças, isso incluía frequência escolar, vacinação e pesagem; para gestantes, pré-natal regular.

Na educação, a regra é simples: estudantes de 4 a 17 anos precisam estar matriculados e frequentando a escola. A frequência mínima é de 60% para crianças de 4 a 6 anos incompletos e de 75% para crianças e adolescentes de 6 a 18 anos incompletos que ainda não concluíram a educação básica.

Gabrielly diz que cresceu vendo essa rotina em outras casas do bairro, em Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, onde a família morava na época. Para ela, a experiência com o programa ajudou a definir a escolha pela área de políticas sociais.

O caso não apaga os limites do programa, mas mostra o que a transferência de renda faz quando vem acompanhada de escola, saúde e proteção mínima. Em famílias como a de Gabrielly, o benefício não resolveu tudo, mas abriu caminho para que os filhos chegassem mais longe.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Leia também no Blog do Esmael: Brasil tira 26,5 milhões da fome com políticas sociais; Aplicativo do Bolsa Família ganha novas funções nesta segunda; Durigan defende fim da escala 6×1 na Câmara