O deputado estadual Ricardo Arruda (PL-PR), expoente da extrema direita no Paraná, declarou em entrevista ao jornalista Valdomiro Cantini, de Cascavel, que o governador Ratinho Júnior (PSD) trabalha com duas prioridades para sua sucessão em 2026: o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), e o ex-chefe da Casa Civil, Guto Silva (MDB).
Arruda, que integra o núcleo mais radical do bolsonarismo paranaense, disse acreditar que o favorito pessoal do governador é Guto Silva, por laços de amizade e confiança, embora reconheça que Curi também reúne atributos de gestão e articulação.
No entanto, o deputado extremista do PL revela um “funil” do Palácio Iguaçu e uma preferência de sua agremiação para a disputa pelo governo do Paraná.
O parlamentar não poupou críticas ao ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD), cujo nome vem sendo ventilado em pesquisas por articulação do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR). “Acho que é um grande erro colocar o Rafael Greca. Ele defendeu Lula, Barroso e Dino, se carimbou como esquerdista. Para os conservadores, sua pontuação caiu lá embaixo”, disparou.
Segundo Arruda, Greca estaria descartado inclusive como vice em qualquer composição que busque o apoio da direita.
O deputado também mencionou o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) como um nome muito conhecido aqui no Paraná. O movimento expõe a contradição da federação entre União Brasil e Progressistas, que tenta incluir Greca nas sondagens ao mesmo tempo em que promove Moro.
Na análise de Arruda, a esquerda não teria um nome competitivo. Citou Requião Filho (PDT), lembrando que sua base é restrita. “É só a esquerda apoiando”, afirmou.
O parlamentar ainda projetou o futuro político do governador Ratinho Júnior, que pode permanecer no cargo até o fim do mandato para ungir seu sucessor ou aceitar convite para ser ministro em um eventual governo de 2027. “Ratinho tem nome e é novo. Se não for candidato, ele compõe e continua com força política”, avaliou.
A fala de Ricardo Arruda joga luz sobre o xadrez sucessório do Paraná em 2026, expondo rachas internos na direita e a dificuldade de consolidação de um nome único. Ao vetar Greca, Arruda reforça a tentativa de blindar o campo conservador contra alianças com perfis mais moderados. Cabe acompanhar como Ratinho equilibrará pressões da extrema direita, das federações partidárias e do Planalto.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




