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Arilson diz que Moro derrete e chama Filipe Barros de estagiário do Vorcaro

O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e presidente estadual do PT, subiu o tom nesta segunda-feira (1º) contra Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Filipe Barros. O petista disse que Moro derrete nas pesquisas, ironizou o ato da direita no Tarumã e afirmou que Tony Garcia poderia passar o ex-juiz da Lava Jato em uma campanha mais longa.

A fala ocorreu na tribuna da Alep, no mesmo dia em que a Polícia Civil de São Paulo fez operação contra a produtora ligada ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A investigação apura suspeitas em contrato de mais de R$ 100 milhões com a Prefeitura de São Paulo e possível uso de dinheiro público na produção.

Arilson cobrou silêncio de Sergio Moro e de Rosangela Moro. Segundo ele, quem construiu carreira política com discurso de combate à corrupção não pode escolher quando fala e quando cala.

“Primeiro vieram à tona os milhões ligados ao Vorcaro, que é o Banco Master. Agora aparecem mais de R$ 100 milhões de dinheiro público sob investigação. Mas o casal Moro segue em silêncio”, disse o petista.

O presidente do PT no Paraná também tentou cravar uma marca política no caso. Afirmou que o filme não deveria se chamar Dark Horse, mas “Militia Fox”, expressão que ele traduziu na tribuna como “raposa miliciana”.

A frase mira o bolsonarismo no ponto em que a direita mais tenta fugir: a origem do dinheiro, a relação com financiadores privados e agora a investigação sobre contrato público em São Paulo.

Arilson também chamou Moro de “senador sabor Paraná”. A crítica ataca a tentativa do ex-juiz de se apresentar como nome estadual depois de construir carreira nacional na Lava Jato, no Ministério da Justiça de Bolsonaro e no Senado. Antes, porém, Moro tentou candidatar-se por São Paulo.

O petista citou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que analisou procedimentos da Lava Jato em Curitiba, apontou questionamentos sobre transparência e mencionou movimentações bilionárias ligadas à operação. Arilson também lembrou a tentativa de criação da Fundação Lava Jato, que previa destinação de R$ 2,5 bilhões.

O discurso teve outro alvo direto: Filipe Barros (PL), deputado federal e pré-candidato ao Senado. Arilson o chamou de “estagiário do Vorcaro”.

A crítica se refere ao Projeto de Lei 4.395/2024, apresentado por Filipe Barros na Câmara, para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CPF ou CNPJ. O tema voltou ao debate político por causa das suspeitas envolvendo o Banco Master.

Arilson afirmou que Filipe “redigiu a lei do Banco Master na Câmara Federal”, em alusão à apresentação do projeto para ampliar a cobertura do FGC.

O deputado do PT também atacou Deltan Dallagnol (Novo). Ao citar Jocelito Canto, pai da deputada estadual Mabel Canto, Arilson afirmou que o ex-deputado do PP teve coragem de ir ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) pedir uma RDE para discutir sua elegibilidade.

A comparação foi usada para provocar Deltan. Arilson disse que o ex-procurador não teria “caráter e coragem” para buscar na Justiça uma declaração sobre seus direitos políticos e acusou o pré-candidato de tentar tumultuar o processo eleitoral.

A fala mira a contradição da chapa desenhada pela direita no Paraná. Deltan está no Novo, partido que tem Romeu Zema como pré-candidato à Presidência. Moro está no PL, partido que se move em torno de Flávio Bolsonaro. Filipe Barros também está no PL. Ratinho Junior, do PSD, tenta evitar o debate presidencial enquanto seu partido tem Ronaldo Caiado como pré-candidato.

Arilson chamou o evento da direita de sexta-feira (29), no Centro de Eventos Tarumã, de ato “pífio” e realizado numa “sauna”. Segundo ele, a frente progressista reuniu, no sábado (30), público ao menos quatro vezes maior no lançamento de Requião Filho (PDT) ao governo e Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado.

O petista afirmou que Moro começou com cerca de 50 pontos, caiu para 45, depois para 40 e poderia ficar fora do segundo turno no Paraná. Ele foi além: disse que, se a campanha ainda tivesse 90 dias de propaganda eleitoral, Moro terminaria atrás de Tony Garcia (DC), hoje citado por Arilson como último colocado nas pesquisas.

A previsão é leitura política do presidente do PT. Não há, na fala, menção a levantamento público que mostre Tony Garcia à frente de Moro neste momento.

Arilson fechou o discurso ligando Moro e Rosangela Moro à pauta trabalhista. Disse que a deputada votou contra proposta relacionada ao fim da escala 6×1 e que o senador assinou uma PEC alternativa associada a Flávio Bolsonaro.

A ofensiva do PT mostra que a eleição de 2026 no Paraná já entrou na fase de desgaste personalizado. Moro será cobrado pela Lava Jato, Filipe Barros pelo FGC, Deltan por sua elegibilidade e Ratinho Junior pela tentativa de esconder o palanque presidencial debaixo do tapete.

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